Porto Alegre, virou point muito rápido. Localizado numa área residencial, sem qualquer isolamento acústico, o som de seus frequentadores invade os apartamentos vizinhos, que têm de conviver com as conversas alheias no meio da sala, ouvir cantorias de parabéns e histórias aparentemente engraçadas e incríveis de gritantes mulheres e homens. Para os frequentadores, mesmo ter de gritar para ser ouvido no bar não é incômodo. Afinal, eles vão lá uma vez ou outra... é implicância de vizinhos.
Além disso, há o barulho depois que o bar fecha, de funcionários lavando pratos e contando causos aos berros, movimentando caixas e empilhando engradados com garrafas de vidro de cerveja batendo na madrugada, ou do alarme contra ladrões do prédio que dispara mesmo sem ladrões, invariavelmente nas manhãs de sábado, domingo e feriados, sem que alguém venha desligá-lo, para desespero dos moradores próximos (curioso é que nem os seguranças ou a polícia aparecem para verificar se há mesmo alguém tentando invadir o bar).
Para os vizinhos, é como ter um bar dentro de casa sem pedir permissão. Consultado uma vez por que não colocava vidros antiruído, o dono disse que não tinha dinheiro... e ainda disse: os incomodados que se mudem. Interessante, um bar tão frequentado certamente não deve ter muito lucro mesmo, coitado. E como a fiscalização da Prefeitura não avaliou este detalhe na hora de dar alvará de funcionamento, fica a cargo dos moradores do entorno ter de se acostumar. A gente se acostuma com a poluição sonora tão facilmente... tente ficar próximo a uma parada de ônibus e ouvir o barulho do arranque dos veículos. Tente prestar atenção no ruído dos carros na rua. Quem mede essa poluição? Por que não há fiscalização? Tente conversar próximo ao Viaduto Otávio Rocha, onde os pequenos lojistas convivem com esses barulhos diariamente.
A propósito: coloco no ar uma amostra do barulho dos frequentadores do Apolinário. A gravação foi feita em 18 de dezembro de 2009, às 0h24min. A foto, em contraste, foi feita no Parque da Redenção, próximo aos pedalinhos. O pássaro certamente não aguentaria segundos diante do barulho do bar. Imaginem alguém, em sua casa, querer ler, ouvir música, ou ver televisão de janela aberta, com esse barulho (bem mais alto do que aparece aqui) ao fundo. Teoricamente seria um direito de qualquer pessoa, não? Menos para os vizinhos do Apolinário. E fica aqui um alerta: quem não quiser ter suas conversas colocadas online qualquer dia destes, melhor falar mais baixo quando estiver dentro do bar.
SOBRE ESTE TEMA leia também o artigo do economista Claudio de Moura Castro, publicado na Revista Veja, em 1º de fevereiro de 2006, intitulado "No país dos decibéis".
http://veja.abril.com.br/010206/ponto_de_vista.html






