<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194</id><updated>2011-11-09T03:57:23.953-08:00</updated><title type='text'>Ideias &amp; Experiências</title><subtitle type='html'>por Clarinha Glock</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-4272323265221440434</id><published>2011-08-04T03:18:00.000-07:00</published><updated>2011-08-04T03:22:06.567-07:00</updated><title type='text'>Gangue da Matriz</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/SukPLNWgY7M" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gravada em dezembro de 2010, a música é um protesto contra o aumento, dado na época, de 73% nos salários dos deputados estaduais gaúchos, elevando os vencimentos de R$ 11.564,76 para R$ 20.042,34.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-4272323265221440434?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/4272323265221440434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=4272323265221440434' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/4272323265221440434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/4272323265221440434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2011/08/gangue-da-matriz.html' title='Gangue da Matriz'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/SukPLNWgY7M/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-1252519271513067990</id><published>2011-07-05T11:48:00.000-07:00</published><updated>2011-07-05T17:41:07.123-07:00</updated><title type='text'>Mais uma história de águias e galinhas</title><content type='html'>A VILA ANTES &lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-xLXQB1xzSI8/ThNkyWh1MeI/AAAAAAAAAsI/xVKDrUx-mQg/s1600/vila%2Bantiga.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-xLXQB1xzSI8/ThNkyWh1MeI/AAAAAAAAAsI/xVKDrUx-mQg/s320/vila%2Bantiga.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625951175719596514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E DEPOIS&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-9zN27lMEOY8/ThNk0zMAd1I/AAAAAAAAAsY/56glNa1CPcg/s1600/nova%2Bvila%2Bchocolatao.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-9zN27lMEOY8/ThNk0zMAd1I/AAAAAAAAAsY/56glNa1CPcg/s320/nova%2Bvila%2Bchocolatao.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625951217772427090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A versão original deste artigo foi publicada pela agência de notícias Inter Press Service (IPS) em 2 de julho de 2011 (http://www.ips.org/ipsbrasil.net/print.php?idnews=7255)&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Luiz Ferreira, 60 anos, conta que nasceu pobre e continua pobre, mas teve uma grande chance na vida: conseguiu estudar. E embora tenha feito curso para ser padre e hoje sobreviva dando aulas de inglês, Seu Luiz - como é chamado na Vila Nova Chocolatão onde mora, em Porto Alegre -, pensa e fala diferente em meio à pobreza. Porque Seu Luiz vê águias onde todo mundo só enxerga galinhas. A história ele pediu emprestado ao “amigo”, o teólogo e escritor brasileiro Leonardo Boff, que ficou conhecido pela Teologia da Libertação, autor do livro A águia e a galinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Luiz explica, com seu jeito pausado e adaptando um pouco a história, para se fazer entender: “Um cientista um dia foi fazer uma viagem, olhou um galinheiro e viu um monte de filhotinhos de águia agindo como galinhas, ciscando o milho. Disse para o dono: aquelas não são galinhas, são águias. E o dono respondeu: não, são galinhas, quer ver? Abriu o galinheiro, e os bichos continuaram ciscando. O cientista então roubou uma galinha e, depois de alguns meses, levou-a bem alto, soltou, e ela voou, voltando a ser águia. Todo mundo aqui (na vila) é águia há muitos anos sendo tratado como galinha. Se ninguém disser pra eles, vão continuar agindo como galinhas”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da remoção da Vila Chocolatão onde Seu Luiz mora virou um marco na cidade porque pela primeira vez um reassentamento foi acompanhado de perto por universitários e geógrafos que fizeram um laudo para prevenir e solucionar problemas, com base no direito à moradia. O esforço resultou no adiamento da transferência até que um Termo de Compromisso fosse firmado em acordo com o Ministério Público Federal (MPF). “Não é porque passam a viver em moradia digna que vão abrir mão de trabalho, saúde e educação. Um dos princípios importantes é a proibição de retrocesso, porque onde estavam antes eles tiravam seu sustento”, assegurou o procurador Alexandre Gavronski, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova Vila Chocolatão fica afastada do Centro, tem menos lixo nas ruas, casas de material sólido, esgoto, luz elétrica, água enganada. Garante trabalho para 60 pessoas por turno em uma Unidade de Triagem de Resíduos doada por uma empresa privada, criada para suprir a demanda da população que sobrevivia antes catando lixo reciclável. Seria perfeita, não fosse o fato de desrespeitar o direito tal qual é previsto em lei, que prevê não só um teto, mas a possibilidade de reconstruir a vida com trabalho, saúde, educação e um mínimo de conforto para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;SEU LUIZ &lt;br /&gt;antes e depois da mudança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-IrQrbNnXb5k/ThNkyBCnbTI/AAAAAAAAAsA/mYptnrxkKYQ/s1600/luiz%2Bantes.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-IrQrbNnXb5k/ThNkyBCnbTI/AAAAAAAAAsA/mYptnrxkKYQ/s320/luiz%2Bantes.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625951169951526194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-MA9v2s5JEEw/ThNk0oPA9aI/AAAAAAAAAsQ/5I-e8obr7f8/s1600/luiz%2Bnova%2Bvila.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-MA9v2s5JEEw/ThNk0oPA9aI/AAAAAAAAAsQ/5I-e8obr7f8/s320/luiz%2Bnova%2Bvila.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625951214832252322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vila original estava há 25 anos em terreno do Tribunal Regional Federal. Antes da remoção, realizada em maio de 2011, moravam 732 pessoas em uma área insalubre, que havia incendiado mais de uma vez. Destas, 74% tinham renda média mensal de até um salário mínimo (R$ 545, cerca de US$ 342). No local será construído um novo prédio do Ministério Público Federal. A coordenação da transferência ficou com o Departamento Municipal de Habitação. “A nova vila é incomensuravelmente melhor”, afirmou Humberto Goulart, diretor do Demhab, uma semana antes da remoção. “A creche” - que não estava concluída – “é moderna, há vagas para todas as crianças nas escolas, os postos de saúde do entorno têm condições de dar conta da nova demanda, e o galpão de triagem é o mais moderno do Brasil”, enfatizou. “Algumas pessoas pediram coisas só para tensionar”, disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As críticas encabeçadas pela Associação dos Geógrafos Brasileiros e o Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul chamaram a atenção para a pouca participação dos moradores da vila na construção do projeto de realocação, o que vai contra o Estatuto da Cidade. Também alertaram para a falta de moradias para atender todas as famílias – o que obrigou a Prefeitura a garantir o aluguel social em outra área para uma parte dos moradores -; do galpão de reciclagem sem capacidade de acolher todos os que antes trabalhavam como catadores e recicladores de lixo; bem como da padronização das casas, que, de fato, são confortáveis para famílias pequenas, mas não para proles maiores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana depois da transferência alguns moradores questionavam se as promessas seriam cumpridas. “Não era bem o que eu esperava”, falou Teresinha Margarete do Rosário, na Usina de Triagem. Só havia conseguido vaga para um dos seis filhos na escola próxima. Vanessa Moraes Sampaio foi fazer a consulta de seu bebê no posto de saúde, mas teve de agendar para a semana seguinte, porque sua ficha ainda não havia sido transferida. Em compensação, Antônio Lázaro da Silva de Oliveira, que trabalha na construção civil, estava satisfeito: “Aqui é outra vida. Minhas três gurias estão estudando. Só que às 21h ninguém mais sai de casa. Vou conversar com o pessoal para botar segurança na vila”, anunciou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-qsIHckaBfdk/ThNnr5iXG8I/AAAAAAAAAsg/pkQSUcVLtV4/s1600/teresinha%2Bgalpao.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-qsIHckaBfdk/ThNnr5iXG8I/AAAAAAAAAsg/pkQSUcVLtV4/s320/teresinha%2Bgalpao.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625954363392859074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Teresinha aguarda o cumprimento das promessas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta Susana Pinheiro Siqueira, que levou mais de um ano para construir com o marido uma casa do jeito que queria na antiga vila, um mês depois da mudança para a nova área aguarda que o Demhab solucione sua falta de espaço para alojar toda a família, transferindo-a novamente para outro lugar. Com quatro filhos, de idades entre 11 e 17 anos, ficou difícil acomodar todos em dois cômodos. Os rapazes mais velhos dormem numa barraca no quintal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-gu2TbUgp6u4/ThNrG1zGIII/AAAAAAAAAsw/W0UstCDDBto/s1600/marta.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-gu2TbUgp6u4/ThNrG1zGIII/AAAAAAAAAsw/W0UstCDDBto/s320/marta.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625958124780658818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Marta espera a transferência para outra casa &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que a remoção da Cholocatão não esteja ligada diretamente aos preparativos da Copa do Mundo de 2014, atualmente no Brasil tudo o que diz respeito a reassentamentos e reestruturação da cidade acaba confluindo com este objetivo. “Na verdade, tudo fica com cara de Copa porque é uma maneira de obter recursos”, explica a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, Relatora Especial do Direito à Moradia Adequada da Organização das Nações Unidas. Raquel recebeu cartas de diversos pontos do país reclamando que os reassentamentos estavam ferindo os direitos mínimos dos cidadãos. Uma destas queixas era sobre a Vila Chocolatão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dezembro de 2010, a relatora enviou um comunicado ao governo brasileiro, alertando sobre denúncias de remoções forçadas em função das obras de preparação para a Copa. Diante da falta de resposta, fez um comunicado à imprensa. Em maio, a ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, por telefone, respondeu que o governo havia criado um grupo de trabalho envolvendo os Ministérios dos Esportes, das Cidades, a sua secretaria e a Secretaria Geral da Presidência da República para examinar a situação e tomar providências. Depois disso, a relatoria não teve mais nenhum contato, a não ser do prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti, que declarou estranhar as denúncias, porque na Vila Nova Chocolatão todos os direitos haviam sido respeitados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O relator é para o mundo todo, não tem condições de ir a campo”, reiterou Raquel. Suas fontes são Ministérios Públicos, Defensorias Públicas, ONGs reconhecidas da área de Direitos Humanos. “Estou aguardando que o grupo de trabalho do governo responda à comunicação”, diz. “Se reincidir nas violações, poderá haver sanção”, observa. Em qualquer processo de remoção de pessoas é preciso garantir que após a mudança a vida seja melhor do que antes, assegura Raquel. “Mas os reassentamentos, em geral, são feitos longe do lugar original, com infraestrutura precária e sem fonte de trabalho para todos – testemunhei casos assim em São Paulo e no Rio de Janeiro”, afirma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geógrafa e pesquisadora Lucimar Siqueira, assessora técnica da ONG Cidade, que há 20 anos apóia movimentos sociais em luta por questões urbanas, lembra que há três grandes projetos em curso no país que impactam diretamente as áreas carentes e de ocupação informal: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, que prevê políticas sociais, além de obras de infraestrutura; o Minha Casa, Minha Vida, também federal, com reurbanização e recuperação da Função Social da Propriedade; e a Copa do Mundo de 2014, cujas obras podem desalojar a população. Como aconteceu com a Vila Chocolatão, as obras da Copa são criticadas porque geralmente oferecem teto e assistencialismo para os removidos, mas não garantem que as águias possam voar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: a assessoria de comunicação da Secretaria Especial de Direitos Humanos informou que o grupo de trabalho está avaliando caso a caso e que serão feitas visitas para verificar que providências estão sendo tomadas em cada lugar onde foram feitas denúncias de violação de direitos humanos em reassentamentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-1252519271513067990?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/1252519271513067990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=1252519271513067990' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/1252519271513067990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/1252519271513067990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2011/07/mais-uma-historia-de-aguias-e-galinhas.html' title='Mais uma história de águias e galinhas'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-xLXQB1xzSI8/ThNkyWh1MeI/AAAAAAAAAsI/xVKDrUx-mQg/s72-c/vila%2Bantiga.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-2763860222040912751</id><published>2011-02-22T00:48:00.000-08:00</published><updated>2011-02-22T01:17:51.913-08:00</updated><title type='text'>"A loucura é uma luta interna contra o estabelecido"</title><content type='html'>"A Rádio Nikosia é uma emissora transversal que se abre ao público usando distintos canais de comunicação. Emite desde a chamada "loucura". É a primeira do estado espanhol realizada por pessoas diagnosticadas com algum problema mental."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a apresentação da Rádio Nikosia no blog radionikosia.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rádio funciona em Barcelona, mas pode ser ouvida pela Internet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presidente da Rádio, Dolors Ódena, deu uma entrevista (em catalão) ao jornal La Directa, em que declarou: "A loucura é uma luta interna contra o estabelecido". Uma das grandes dúvidas e queixas é quanto à indicação excessiva de medicamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena conferir a entrevista feita pelo repórter Oriol Andrés. Traduzo uma das respostas de Dolors: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;No esteu en contra de la psiquiatria sinó de com es fa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Então vocês não estão contra a psiquiatria, mas contra a forma como é praticada?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOLORS: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sí. Tot i que, amb la psiquiatria en si, tampoc no hi estem massa d’acord perquè considerem que és una cosa més per controlar que no pas per ajudar. Des de Nikosia, volem canviar la mirada dels nous professionals que es dediquin a la psiquiatria, la psicologia, la infermeria. Apostem pel diàleg, sense l’autoritat del professional que és com un semidéu que et diu què pots i què no pots fer. A més, nosaltres no partim de la idea que això és una qüestió biològica i la psiquiatria sempre ho vincula a&lt;br /&gt;les substàncies que ens falten al cervell i et dóna la pastilleta màgica que tot ho soluciona. Tampoc està demostrat que tingui un origen biològic."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sim. Tanto que, na psiquiatria em si, tampouco estão muito de acordo porque consideram que é mais para controlar do que para ajudar. Através da Nikosia, tentamos mudar o olhar dos novos profissionais que se dedicam à Psiquiatria, à Psicologia, à Enfermagem. Apostando no diálogo, sem a autoridade do profissional que é como um semideus, dizendo o que se pode e o que não se pode fazer. Além disso, nós não partimos da ideia de que isso é uma questão biológica, e a Psiquiatria sempre vincula às substâncias que faltam ao cérebro e dão a pastilha mágica que tudo soluciona. Tampouco está demonstrado que tem uma origem biológica".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-2763860222040912751?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/2763860222040912751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=2763860222040912751' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/2763860222040912751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/2763860222040912751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2011/02/loucura-e-uma-luta-interna-contra-o.html' title='&quot;A loucura é uma luta interna contra o estabelecido&quot;'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-2569011905346469531</id><published>2010-08-14T04:41:00.000-07:00</published><updated>2011-02-09T13:06:27.010-08:00</updated><title type='text'>Adolfo Pérez Esquivel e a luta pela paz</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/TGaHaJIxmBI/AAAAAAAAAaw/GL0Oz9YlZLM/s1600/esquivel3.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 198px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/TGaHaJIxmBI/AAAAAAAAAaw/GL0Oz9YlZLM/s200/esquivel3.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505236477706082322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A entrevista a seguir foi feita originariamente para a agência Inter Press Service (IPS). Por uma questão de espaço, a matéria foi editada e está disponível em versão reduzida em português, inglês e espanhol no site &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;http://ipsnews.net/news.asp?idnews=523&lt;/strong&gt;83&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; com o título: "O mundo precisa de um novo contrato social". A seguir, publico a entrevista na íntegra feita com o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel: &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho em defesa dos direitos humanos. Aos 78 anos de idade (fará 79 em novembro), continua muito ativo: faz palestras sobre educação para a paz e por pouco não estava na flotilha que ia para Gaza. Nesta entrevista, realizada em julho de 2010, durante um encontro da Universidade Internacional da Paz, em Sant Cugat, Espanha, da qual Esquivel é fundador e presidente honorário, ele analisa a situação atual da América Latina, fala sobre um possível golpe de Estado no Paraguai e como andam as negociações para a criação de uma Corte Penal Internacional para tratar de crimes contra o Ambiente. “Temos de começar a pensar em um novo contrato social em escala planetária, mas também dentro de cada país”, observa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desde as ditaduras, o que aconteceu com a América Latina? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ADOLFO PÉREZ ESQUIVEL -&lt;/strong&gt; Nem todos os países tiveram a mesma evolução. Depois das ditaduras impostas pela política dos Estados Unidos se produzem alguns fatos muito importantes que fazem com que a América Latina volte às democracias - condicionadas ou restringidas. É um processo muito rápido, que tem a ver com a Guerra das Ilhas Malvinas (1982). A confrontação antes era Este-Oeste: Estados Unidos e União Soviética. Com a Guerra das Malvinas, o problema é Norte-Sul. &lt;br /&gt;Rapidamente os Estados Unidos se dão conta que é preciso buscar democracias, pela má imagem dos fatos que haviam sucedido. E começa um processo de democracias condicionadas e restringidas. Mas o modelo econômico, a estrutura, não modificou: a política neoliberal, as privatizações, a apropriação dos recursos naturais e não-naturais continua. Ainda que os Estados Unidos tenham deparado com as guerras do Iraque e do Afeganistão, nunca deixaram de olhar para América Latina. Então, o que acontece? O controle de bases militares e a condução de muitos governos. Quando algum se desvia dessa política hegemônica, começa a ter conflitos, como Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina. No Brasil, embora Lula faça obras sociais, ele não se afasta tanto do modelo neoliberal. Quando Manuel Zelaya, de Honduras, começa a ter outra visão das coisas e da situação do país, lhe dão um golpe de Estado, não através das Forças Armadas, ainda que tenham utilizado as Forças Armadas, mas legalizada através do Parlamento e do Poder Judiciário. É como uma experiência piloto para poder aplicar em outros países. Como, por exemplo, podem aplicar no Paraguai, porque estão passando por algo muito semelhante.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível prevenir esse novo golpe? &lt;br /&gt;ESQUIVEL -&lt;/strong&gt; Estamos tratando de prevenir. Por isso, em agosto vamos estar no Fórum das Américas para defender a institucionalidade, a democracia e não o golpe de Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De que forma os Estados Unidos estão se reposicionando em relação à América Latina?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ESQUIVEL -&lt;/strong&gt; Estão gerando uma “pinça” militar em todo o continente, e cercando: têm o Plano Puebla-Panamá, para América Central e Caribe; o Plano Colômbia, com sete bases militares sob o pretexto do narcotráfico e do terrorismo; e a Tríplice Fronteira, no Paraguai, Argentina e Brasil. E, no Atlântico Sul, nas Ilhas Malvinas, uma base militar com Grã-Bretanha. &lt;br /&gt;Além disso, há uma penetração muito forte de empresas transnacionais buscando os recursos que já estão faltando nos países centrais - a Amazônia, no Brasil, aparece em textos de estudos das escolas como área protegida pelos Estados Unidos. Apesar de tudo, há emergentes sociais, culturais e políticos muito fortes. O caso de Bolívia, por exemplo. O governo está recuperando as empresas nacionais e os recursos naturais que estavam privatizados. Estes são passos importantes, de passar a ser um Estado plurinacional, com reconhecimento dos povos indígenas, e também superar o analfabetismo, os problemas de saúde, a educação. E o mesmo está passando na Venezuela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguns críticos dizem que a forma como esses países de esquerda e centro-esquerda tratam a questão de segurança fere os direitos humanos. O que o senhor pensa disso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ESQUIVEL -&lt;/strong&gt; Não há democracias perfeitas, mas há democracias perfectíveis, que se podem melhorar. Por exemplo, a Venezuela tem uma democracia distinta da aparente “democracia” (que não é democracia) da Colômbia. O caso de Colômbia é terrível: há uma repressão, um controle de grupos paramilitares, uma intervenção das Forças Armadas. O país tem quatro milhões de deslocados (desplazados) internamente e cinco milhões de exilados. Os colombianos votam, mas voto não garante a democracia, o que garante é a participação do povo. Na Venezuela há prisões? Sim. Veja o caso de Cuba - há uma agressão tão forte dos grandes interesses econômicos, que se não lhes põem limites, a Revolução Cubana já havia sido destruída como aconteceu com a Revolução Sandinista. &lt;br /&gt;Para mim, a democracia passa pelo direito de igualdade para todos. Muitos atacam Cuba dizendo que não é um sistema democrático, mas ninguém fala dos Estados Unidos, que não é um sistema democrático. E por que Estados Unidos leva 50 anos de bloqueio a Cuba, apesar de todas as resoluções das Nações Unidas. Por que tem o direito de veto? O que acontece com Israel e Palestina? De que democracia estamos falando, quando estão oprimindo o povo palestino da forma como estão fazendo? O que acontece com a questão de Ruanda e do Congo? Com todas as dificuldades e erros, os países na América Latina avançaram e deram passos qualitativos na construção de democracias participativas, e não estas democracias delegativas, em que depois os governos fazem o que querem. É outra forma de entender a democracia. São espaços a construir. &lt;br /&gt;Há um fato que se conhece pouco. Eu estava na Bolívia e, depois de me encontrar com Evo Morales, fui a Santa Cruz. As pessoas ali estavam armadas para uma guerra civil, provocando Evo para que mandasse o Exército (isso foi depois do massacre de Pando). O que faz Evo? Manda dois mil policiais sem armas. Ele praticamente desarticulou aqueles que queriam uma guerra civil. Houve eleições e Evo ganhou por 68%. Mas os grandes meios de comunicação falam da ditadura de Evo Morales. Acredito que a agressão permanente de Colômbia a Venezuela é para gerar um conflito armado, e isso é instigado pelos Estados Unidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem condições de mudar alguma coisa?&lt;br /&gt;ESQUIVEL &lt;/strong&gt;- Não, Obama chegou ao governo, mas não ao poder. Do ponto de vista pessoal é uma boa pessoa, tenho um amigo que está perto dele e dizem que tem boas intenções, não o conheço pessoalmente. Mas no governo é um escravo, a política do governo dos Estados Unidos não é ele quem conduz. Ele se comprometeu a terminar com a guerra do Iraque e a intensificou, mandou mais soldados; na de Afeganistão também; de buscar uma solução para a Colômbia e não pôde fazer. Veja que o projeto desta lei de saúde lhe custou muitíssimo, e está se opondo à lei de imigrantes que fizeram no Texas. É um homem que não tem condições de governabilidade como conseguiu Evo Morales (Bolívia), Hugo Chávez (Venezuela) ou Rafael Correa (Equador). O importante na América Latina é que estes governos estão tratando de se unir, não só através do Mercosul, da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), do Banco do Sul. Estão buscando meios alternativos de comunicação, como a Telesur. Quer dizer, estão tratando de fortalecer uma força regional e é a única forma de enfrentar estes grandes poderes internacionais que hoje dominam as Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isso pode impedir um golpe no Paraguai?&lt;br /&gt;ESQUIVEL - &lt;/strong&gt;Claro. A presidente da Argentina fez algo muito interessante. Em 25 de maio, na festa da pátria e do bicentenário, convidou vários governantes, entre eles Manuel Zelaya, o presidente deposto de Honduras, e o recebeu com honras de presidente em exercício. Isto incomoda muito os Estados Unidos, que vai perdendo sua hegemonia. Hoje quando alguém vê em escala mundial o que está passando, vê fenômenos: não há sociedades estáticas, há uma dinâmica permanente de transformação e isto está se dando, por exemplo, no sudeste asiático. A China é uma potência, é o grande credor dos Estados Unidos. &lt;br /&gt;A América Latina tem que buscar formas de fortalecer sua unidade porque é um dos continentes que guarda os grandes recursos naturais, e a próxima guerra vai ser por água, por recursos energéticos, por alimentos. A única forma de se fortalecer são as alianças, não só econômicas, mas também culturais, políticas, de integração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Apesar dos avanços, o senhor é um crítico muito duro do governo da Argentina. Por quê?&lt;br /&gt;ESQUIVEL -&lt;/strong&gt; O governo argentino fez coisas interessantes. Por outro lado, é um discurso progressista, mas não modifica a situação estrutural que não se resolve com subsídios ou com esmolas aos pobres, isso é dependência. Outra coisa: o caso das grandes mineradoras - a presidente veta a Lei de Proteção dos Glaciares para favorecer a empresas transnacionais como a Barrick Gold no projeto Pascua-Lama, da Argentina e do Chile. Vai contaminar os glaciares, destruí-los -  70% de água que consome o país provém dos glaciares. Para tirar o ouro e a prata, estas empresas mineiras usam cianureto, mercúrio e sulfeto. Essa contaminação vai chegar ao ser humano, aos animais, à vegetação, vai mudar a biodiversidade. Está destruindo os pequenos e médios produtores rurais. As pessoas estão abandonando os campos. E aí se criam as periferias das favelas e a miséria. Não posso estar de acordo. Sim, apoiei a Lei dos Meios de Comunicação, ela fez muito bem a reforma da Corte Suprema de Justiça, a economia argentina melhorou de certa maneira, mas este modelo em qualquer momento pode ser explosivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil)?&lt;br /&gt;ESQUIVEL &lt;/strong&gt;- Lula, como governante, se fixou na posição de avançar com o Brasil potência. As desigualdades continuam. Embora tenha feito obras sociais, não foram suficientes, porque talvez o que esteja faltando mais são projetos de desenvolvimento integral para superar a pobreza. O Brasil é um país grande com uma grande diversidade e marginalização. Mas acredito que Lula, nesse aspecto, avançou. Não pôde fazer talvez tudo o que queria fazer. É um reformista. Não era antes, eu o conheço desde o movimento sindical do ABC. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Então, o que aconteceu?&lt;br /&gt;ESQUIVEL -&lt;/strong&gt; Acho que alguns não, mas... o poder domestica e a muitos corrompe. Não acredito que Lula seja um corrupto, mas é possível que, em grande medida, tenha sido “domesticado” pelo poder. Não porque seja condicionado ao sistema - e se moveu dentro disso com muita habilidade. Pode ser uma estratégia, pode ser que pôde avançar até aí, porque a outra opção seria ter chegado a conflitos e enfrentamentos muitos duros que não sei se estava preparado para suportar como fez Evo Morales - e Evo passou muito mal, com muitas tentativas de golpes de Estado. Contra Hugo Chávez houve um golpe de Estado, e há um acosso permanente contra ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A que o senhor se refere quando fala em “emergentes sociais”?&lt;br /&gt;ESQUIVEL &lt;/strong&gt;- Vou falar de três. Um é o movimento de mulheres, que nunca estava visibilizado. A mulher hoje é protagonista em todo o continente latino-americano, dos povos indígenas às esferas científicas, tecnológicas e do pensamento. A educação praticamente passou para a mão delas. Eu sempre digo: “Mulheres, por favor, não imitem os homens!”. As mulheres têm outro pensamento, outra sensibilidade.&lt;br /&gt;O outro movimento importante é o dos indígenas, que começaram a recuperar sua identidade, sua cultura, sua espiritualidade, e a organizar-se. E o terceiro são os movimentos sociais que estão gerando uma nova forma de fazer política e tratando de construir uma democracia participativa. Tudo isso está levando a algo que venho insistindo: temos de começar a pensar em um novo contrato social em escala planetária, mas também dentro de cada país. &lt;br /&gt;Veja  que a Bolívia é um país multicultural linguístico, onde se reconhecem as diversas nacionalidades. É um avanço enorme que não tem em muitos países. É um desafio. Quando a Real Academia Espanhola realizou um encontro “da Língua”, nós fizemos outro paralelo, o Congresso “das Línguas”, porque não somos um país monolínguístico e temos que começar a respeitar essa grande diversidade. Quando falo de gerar um novo contrato social também me refiro a isso, porque tenhamos em conta que a dominação não começa pelo econômico, mas pelo cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível firmar este novo contrato social quando alguns países, não só da América Latina, não conseguem garantir a memória histórica? &lt;br /&gt;ESQUIVEL -&lt;/strong&gt; Não se consegue porque os povos não se mobilizam. Têm de deixar de ser expectadores e passar a ser protagonistas. Na Argentina, graças à resistência e à mobilização, hoje temos os genocidas sentados no banco dos tribunais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E por que a mobilização na Argentina é tão forte e não se consegue mobilizar em outros países? É uma questão cultural, também?&lt;br /&gt;ESQUIVEL &lt;/strong&gt;- O Brasil tem algo muito interessante, que é o Movimento dos Sem Terra. Nós, na Argentina temos o Movimento dos Campesinos. Mas nos custou 30 anos superar a Lei do Ponto Final, de anistias. Fomos descobrindo novas formas de resistência cultural e política. Outra coisa que conseguimos desenvolver muito forte foram as redes de solidariedade internacional. As pessoas têm que ir reclamando para que lhes abram os arquivos. Acho que são etapas, nem todos os povos caminham igual, uns vão mais rápido. Mas no final, é preciso ter essa memória histórica para modificar as situações, porque uma das coisas que temos muito claro é que sobre a impunidade é impossível fazer uma democracia. O caso da Espanha: quando o juiz Baltasar Garzón tentou tocar no Franquismo, o tiraram de seu cargo. A isto também se chama democracia. Cada um tem que ter suas próprias experiências e daí reverter a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que significou, na prática, o Prêmio Nobel da Paz para o senhor?&lt;br /&gt;ESQUIVEL &lt;/strong&gt;- O Prêmio Nobel é um instrumento a serviço dos povos, nada mais. Se não está a serviço dos povos, não serve, é uma dor de cabeça. O que a mim facilitou foi abrir portas que em outros tempos não teria acesso. Com alguns Prêmios Nobel trabalhamos em algumas missões internacionais. Por exemplo, neste barco que foi à Gaza não pude viajar por um acidente, senão estaria nele, mas foi Maired Corrigan Maguire (Prêmio Nobel da Paz de 1976).&lt;br /&gt;Há uma organização que formamos há cerca de 10 anos, em Denver, nos Estados Unidos, chamada Peacejam. Vamos às escolas para falar com os jovens e fazer jornadas com eles sobre educação para a paz e desenvolver valores de solidariedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor está participando de uma campanha para a formação de uma Corte Penal Europeia e Internacional pelo Ambiente. Os crimes contra o meio ambiente podem ser comparados aos crimes de guerra? &lt;br /&gt;ESQUIVEL&lt;/strong&gt; - Como parte das coisas que realizo sou presidente da Academia de Ciências de Veneza, integrada por 120 científicos de distintas partes do mundo. Trabalhamos sobre os grandes problemas ambientais. &lt;br /&gt;Há empresas, por exemplo, como a British Petroleum - está provocando um dano ecológico ambiental enorme que vai ficar em impunidade. Os danos para a população, a devastação dos bosques, dos monocultivos, a destruição da biodiversidade são irreversíveis.  Nos direitos humanos se vê o individual, mas não se vê o conceito dos danos provocados aos povos. &lt;br /&gt;Em 1976, em Argel, a Liga Internacional pelos Direitos e a Liberação dos Povos proclama a Declaração Universal dos Direitos dos Povos. Se a ONU não faz, fazem os povos. E acredito que esse é um dos grandes eixos sobre os quais temos que trabalhar. Por exemplo: o dano aos povos indígenas, o dono a populações inteiras por contaminação da água e do ambiente, a destruição das populações - a FAO, em 2001, quando houve o atentado às Torres Gêmeas, divulgou um relatório aterrador, mas as Torres Gêmeas taparam tudo. Dizia que, por dia, morrem no mundo mais de 35 mil crianças de fome. Isso eu chamo de Terrorismo Econômico. O que acontece com países que tinham uma vegetação enorme e podiam produzir, e hoje não podem produzir nada porque a desertificação e o roubo permanente os deixou sem recursos, e as pessoas têm que emigrar? Não são apenas os deslocados (desplazados) internos que sofrem perseguição política ou necessidades econômicas, esse é um problema de sobrevivência. Então estamos propondo a constituição do Tribunal Penal Internacional sobre o Ambiente, quer dizer, uma reforma do Estatuto de Roma (tratado que estabeleceu a Corte Penal Internacional, em 1998). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E como está o processo para chegar a este Tribunal?&lt;br /&gt;ESQUIVEL -&lt;/strong&gt; Está se tratando de avançar, para ver se o Parlamento Europeu pode chegar a constituir uma Corte Europeia sobre o Ambiente. Ao mesmo tempo, é preciso lançar uma campanha internacional para que os povos pressionem. O governo nunca vai mudar de cima para baixo. A resistência tem que vir das bases para que os governos se motivem e provoquem as mudanças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-2569011905346469531?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/2569011905346469531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=2569011905346469531' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/2569011905346469531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/2569011905346469531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2010/08/adolfo-perez-esquivel-e-luta-pela-paz.html' title='Adolfo Pérez Esquivel e a luta pela paz'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/TGaHaJIxmBI/AAAAAAAAAaw/GL0Oz9YlZLM/s72-c/esquivel3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-2586463026629709720</id><published>2009-04-06T07:32:00.001-07:00</published><updated>2009-04-30T20:39:52.289-07:00</updated><title type='text'>Redutores de Preconceitos</title><content type='html'>&lt;object width="457" height="368"&gt;&lt;param name="movie" value="http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=197020&amp;start_loading=false&amp;start_paused=true" /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always" /&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent" /&gt;&lt;embed width="457" height="368" allowfullscreen="true" wmode="transparent" src="http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=197020&amp;start_loading=false&amp;start_paused=true" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2000, acompanhei durante quase um mês as saídas dos Redutores de Danos de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Entre os redutores, havia usuários e ex-usuários de drogas injetáveis. Parte destas pessoas retratadas no vídeo já morreram. O trabalho dos redutores continua, mas mudou bastante com a entrada do crack e com divergências no comando da equipe. Iniciava com um contato para troca de seringas usadas por novas, para evitar o compartilhamento e a propagação de doenças como hepatite e Aids. Mas era mais do que isso - ajudava as pessoas a se organizarem, enfrentarem medos, preconceitos, dores, e as estimulava ao auto-cuidado e a se tratarem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me impressionou neste trabalho, na época, não era o uso de drogas. Mas como estas pessoas tinham vida, apesar de parecerem buscar sempre a morte. E como uma palavra amiga, uma mão estendida, um ouvido atento fazia diferença para diminuir os danos causados pela droga, pelo preconceito, pelo abandono, pela falta de oportunidades. Eu já havia postado a fala de Tonico sobre cidadania, que encerra o vídeo. Coloco agora o vídeo inteiro, para quem quiser entender o contexto daquele discurso e o que era realmente o projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem interessar: a Associação Brasileira de Redutores de Danos (Aborda) pode dar mais informações sobre os Programas de Redução de Danos hoje no Brasil. Veja no site http://www.abordabrasil.org/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-2586463026629709720?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/2586463026629709720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=2586463026629709720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/2586463026629709720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/2586463026629709720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2009/04/redutores-de-preconceitos.html' title='Redutores de Preconceitos'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-7745910397914319751</id><published>2009-04-06T05:32:00.000-07:00</published><updated>2009-04-06T05:41:08.328-07:00</updated><title type='text'>Augusto Carneiro - o vídeo</title><content type='html'>&lt;object width="457" height="368"&gt;&lt;param name="movie" value="http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=189906&amp;start_loading=false&amp;start_paused=true" /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always" /&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent" /&gt;&lt;embed width="457" height="368" allowfullscreen="true" wmode="transparent" src="http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=189906&amp;start_loading=false&amp;start_paused=true" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este vídeo foi realizado em 2007, como uma homenagem ao ambientalista Augusto Carneiro. Não é um vídeo profissional, mas ajuda a resgatar um pouco da história de Carneiro e das origens do movimento ambientalista de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-7745910397914319751?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://mais.uol.com.br/view/xstejakdbezy/augusto-carneiro-04023660E4C98326?types=A&amp;' title='Augusto Carneiro - o vídeo'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/7745910397914319751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=7745910397914319751' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7745910397914319751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7745910397914319751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2009/04/augusto-carneiro-o-video.html' title='Augusto Carneiro - o vídeo'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-5677027904000312384</id><published>2008-10-20T05:23:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T05:32:52.301-07:00</updated><title type='text'>Blogagem coletiva</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SPx5Z43Vf9I/AAAAAAAAAL0/EojFe4rbSJg/s1600-h/Fotos+set08+009.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SPx5Z43Vf9I/AAAAAAAAAL0/EojFe4rbSJg/s200/Fotos+set08+009.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259211950530068434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em 4 de setembro de 2008 a ONG Coletivo Catarse reuniu um grupo de moradores de rua e blogueiros interessados em trocar idéias. O encontro faz parte de um projeto maior de promover o diálogo com quem está fora da mídia tradicional e abrir espaços a comunicação alternativa, livre e sincera. O resultado dessa conversa foi transcrito no blog da Catarse. Para conferir, basta clicar no título Blogagem coletiva ou entrar no seguinte endereço: &lt;br /&gt;http://coletivocatarse.blogspot.com/2008/10/blogagem-coletiva-com-moradores-de-rua.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-5677027904000312384?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://coletivocatarse.blogspot.com/2008/10/blogagem-coletiva-com-moradores-de-rua.html' title='Blogagem coletiva'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/5677027904000312384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=5677027904000312384' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5677027904000312384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5677027904000312384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2008/10/blogagem-coletiva.html' title='Blogagem coletiva'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SPx5Z43Vf9I/AAAAAAAAAL0/EojFe4rbSJg/s72-c/Fotos+set08+009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-8004380232737373501</id><published>2008-08-27T11:47:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T11:56:43.865-07:00</updated><title type='text'>Cidadania</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dWHIjJAX7Fc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/dWHIjJAX7Fc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"PÔ, para ser cidadão não é mole..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tonico, agente da Redução de Danos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmado em 2000, o documentário Redutores de Preconceitos mostra a realidade dos agentes do Programa de Redução de Danos para Usuários de Drogas Injetáveis. O programa implantado pela Prefeitura de Porto Alegre, infelizmente, perdeu muitos de seus agentes - por questões políticas, por falta de apoio, pela própria Aids. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O princípio da redução de danos para usuários de drogas era de que, enquanto a pessoa não conseguia se livrar da droga, pelo menos poderia evitar a Aids, a hepatite e outras doenças, evitando compartilhar seringas contaminadas pelo vírus HIV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fala de Tonico sobre cidadania encerra o documentário. Tonico vive, mas a maior parte dos entrevistados no documentário não está mais aí para dar seu depoimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes oito anos, a droga também mudou - é o crack que está detonando mais com crianças e adultos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica o registro da fala de Tonico para pensar o que é esta tal de cidadania.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-8004380232737373501?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/8004380232737373501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=8004380232737373501' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/8004380232737373501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/8004380232737373501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2008/08/cidadania.html' title='Cidadania'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-1695842277848274456</id><published>2008-08-20T17:26:00.000-07:00</published><updated>2008-08-22T08:38:14.442-07:00</updated><title type='text'>Chineza se foi...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SKy6-T4pOmI/AAAAAAAAAKc/r2nVIUpFJ6k/s1600-h/chineza.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SKy6-T4pOmI/AAAAAAAAAKc/r2nVIUpFJ6k/s320/chineza.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236766046377556578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Claro que todas esquinas,&lt;br /&gt;todas praças, o povo em geral, de rua&lt;br /&gt;ainda continua na sua condição.&lt;br /&gt;seja qualquer uma,&lt;br /&gt;mas sempre &lt;br /&gt;sonhando, talvez &lt;br /&gt;com um futuro,&lt;br /&gt;muitas vezes, dramático,&lt;br /&gt;muitas vezes, feliz,&lt;br /&gt;mas infelismente, &lt;br /&gt;ainda há muito para &lt;br /&gt;conquistar, e construir"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Chineza)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esta foi a última mensagem que recebi de Chineza. Foi escrita com sua própria letra, numa folha rasgada de caderno, e entregue a mim por Manoel, que durante um tempo trabalhou como “oficineiro da escrita” do Jornal Boca de Rua. Chineza era Marko Khan Su Gria, seu nome indígena. &lt;br /&gt; Chineza escrevia com a alma, e se sua alma era de fato batalhadora e brilhante, continha uma tristeza profunda também.&lt;br /&gt; Durante dias esta mensagem ficou no meu mural, me lembrando do carinho de Chineza e de outras pessoas com quem trabalhei no jornal Boca de Rua. Tirei do quadro de avisos ontem à noite. Hoje à tarde, 20 de agosto de 2008, recebi a notícia da morte de Chineza. Dizem que foi por tuberculose. Era HIV positivo. Pegou o frio da rua neste inverno chuvoso, percorreu o mesmo ciclo de outros tantos moradores de rua: foi para o hospital, saiu, voltou para o hospital, morreu ali. Antes de morrer, ainda disse que queria ir embora desta vida como suas amigas - na rua mesmo. Ela se referia, entre tantas, a Barbie, amiga que morreu alguns meses antes, e que também participou da equipe do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SK2uZS3WPqI/AAAAAAAAAK8/DAMPtIITNKo/s1600-h/chineza6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SK2uZS3WPqI/AAAAAAAAAK8/DAMPtIITNKo/s200/chineza6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237033691285700258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Chineza era diferente, porque sua alma gritava em palavras que ela mesma escrevia, sem ajuda de ninguém. Era meio índio, rejeitado pela tribo no passado por sua homossexualidade. Volta e meia podia-se encontrá-la machucada por ter apanhado sem motivo algum, ou porque estava simplesmente passando na rua, e parecia suspeita. Ou porque estava sentada num canto onde não era bem-vinda. Chineza sofreu todos os preconceitos que a ignorância humana pode permitir. Foi alvo de todos os estereótipos possíveis em uma só pessoa: pobre, homossexual, morador de rua, índio, drogado, aidético. E enfrentava isso tudo com tanta dignidade e sensibilidade, que envergonharia os algozes da moral alheia. Mas lhe doía muito esse enfrentamento diário.  &lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SK2uLGFNumI/AAAAAAAAAK0/0XdTjmxARzA/s1600-h/chineza+marcha.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SK2uLGFNumI/AAAAAAAAAK0/0XdTjmxARzA/s400/chineza+marcha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237033447336032866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era santa, é verdade. Era gente. Numa das últimas vezes que a vi estava no Gapa/RS apresentando um vídeo em que interpretou a mãe de um jovem atormentado pelo abandono e violência no lar. No making of, Chineza conta sua própria história. Este talento vivia sob pressão e depressão. &lt;br /&gt; Outro dia, de relance, emparelhei por acaso o carro numa sinaleira com uma Chineza estaqueada na calçada, amortecida provavelmente pelo álcool, que a ajudava a amenizar tantas dores e lhe trazia outras. Ficou horas parada olhando o nada, uma cena que contrastava com a vida interna que dava às palavras nas reuniões do Boca de Rua, do Gapa, das oficinas da Casa de Convivência. Chineza vai fazer falta...talvez não tenha percebido o quanto era importante para tanta gente com sua presença nas reuniões, nos vídeos, nas discussões, na rua, na vida.  &lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SKy_JoNcGlI/AAAAAAAAAKk/-gOzaWa3pLc/s1600-h/carta+chineza.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SKy_JoNcGlI/AAAAAAAAAKk/-gOzaWa3pLc/s320/carta+chineza.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236770638858558034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-1695842277848274456?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/1695842277848274456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=1695842277848274456' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/1695842277848274456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/1695842277848274456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2008/08/o-escritor-se-foi.html' title='Chineza se foi...'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SKy6-T4pOmI/AAAAAAAAAKc/r2nVIUpFJ6k/s72-c/chineza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-7265608686481145579</id><published>2008-06-13T14:00:00.001-07:00</published><updated>2008-12-10T14:44:40.469-08:00</updated><title type='text'>Histórias que se cruzam ao acaso</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SFLg152WORI/AAAAAAAAAKU/QyYXwo-QBUw/s1600-h/Fotos+BH+mai08+063.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211474935487543570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SFLg152WORI/AAAAAAAAAKU/QyYXwo-QBUw/s320/Fotos+BH+mai08+063.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SFLglILY76I/AAAAAAAAAKM/R-YFrkOFli8/s1600-h/Fotos+BH+mai08+061.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211474647276122018" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SFLglILY76I/AAAAAAAAAKM/R-YFrkOFli8/s320/Fotos+BH+mai08+061.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Viajar sozinho tem um lado muito bom, que é o de prestar mais atenção nos personagens da vida real que cruzam pelo nosso caminho. Um cumprimento aqui, uma curiosidade ali, um sorriso, e pronto: a gente abre espaço para conhecer outras pessoas e realidades, e tornar os passeios solitários uma rica experiência, cheia de histórias para contar. Foi assim, viajando sozinha entre Belo Horizonte, Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, que conheci Seu Damião e Fábio. Era um dia de folga de um congresso em BH, em maio deste ano, e aproveitei para desvendar um pouco mais do Estado.&lt;br /&gt;Damião Amaro Lopes tem cabelos brancos e sorriso largo. Para quem não o conhece, vai logo se apresentando: “Sou o homem das sete profissões e das 21 necessidades”. Aos 74 anos, completados agora, em 6 de junho de 2008, ele é um informal contador de histórias da Estação Cidadania de Ouro Preto. Quer pegar o Trem da Vale entre as históricas Outro Preto e Mariana? Pois ninguém cruza o lugar sem deparar com seu Damião. Quando não está contando histórias, está tocando seu acordeão para os visitantes, ou improvisando sons com um violão de cabaça.&lt;br /&gt;As sete profissões não são bem sete, nem as 21 necessidades, cuja lista varia conforme a memória e vontade de ouvir do freguês. Mas quem se importa? Um banquinho improvisado no Vagão Sonoro Ambiental da estação de Ouro Preto serve de palco para seu Damião. Ao lado de Fábio Costa Carvalho, estudante de Música que trabalha como monitor neste vagão que nunca sai do lugar, ele desafia quem tenha melhor lábia.&lt;br /&gt;Conta que nasceu em Juazeiro do Padre Cícero, no Ceará, mas está desde 1955 em Minas. Foi agricultor em Cariri; depois, ferreiro com carteira assinada; mecânico de montagem em uma fábrica de tecido; analista químico, com registro e tudo, e atua como profissional de fotografia há 22 anos. “Conheço fotografia da hora que nasce até quando termina”, tenta explicar. Registra de tudo: de casamentos a fotos da indústria de alumínio. E segue a lista: formado em restauração na Fundação de Artes de Ouro Preto, ajudou a recuperar imagens de telas das igrejas. E, finalmente, artista plástico - garante que tem trabalhos seus enfeitando casas no Exterior.&lt;br /&gt;Fábio já se acostumou com a figura falante no Vagão Sonoro Ambiental onde, de canos e restos de material de trens, se tira sons e música. Ele próprio, que nasceu em Miraí, no interior, ainda mal conhece Ouro Preto. Veio tentar a sorte e o estudo e torce para que volte a obrigatoriedade das aulas de música nas escolas para que tenha mais campo de trabalho no futuro. Enquanto isso, fica ali para receber as crianças e os adultos curiosos que vistam a estação. Seu Damião se acerca quase toda a semana, para se inspirar e inspirar os outros.&lt;br /&gt;O passeio do Trem da Vale custa R$ 18 (quase o preço do ônibus de BH para Ouro Preto) e vale a pena pela paisagem do caminho. Quem quiser saber mais sobre o passeio pode acessar o site &lt;a href="http://www.tremdavale.com.br/"&gt;http://www.tremdavale.com.br/&lt;/a&gt;. É uma opção gostosa para quem estiver de passagem por BH. Num mesmo dia, dá para visitar Ouro Preto, pegar o trem, passear por Mariana, e voltar para a capital mineira. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-7265608686481145579?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/7265608686481145579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=7265608686481145579' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7265608686481145579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7265608686481145579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2008/06/histrias-que-se-cruzam-ao-acaso.html' title='Histórias que se cruzam ao acaso'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/SFLg152WORI/AAAAAAAAAKU/QyYXwo-QBUw/s72-c/Fotos+BH+mai08+063.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-5359343516893239027</id><published>2008-04-10T11:26:00.000-07:00</published><updated>2008-04-23T13:53:09.696-07:00</updated><title type='text'>Sobre seres humanos e bichos</title><content type='html'>Em uma das reuniões de que participei outro dia, em que se discutia Integridade – esse sentimento que não se explica, se tem ou não -, veio à tona o tema da proibição das carroças nas ruas de Porto Alegre. A justificativa dos defensores da proibição é proteger os cavalos dos maus-tratos. E seguiu-se uma longa discussão sobre quem são os donos dos cavalos que puxam carroça, por que agem do jeito que agem. &lt;br /&gt;Em vez de proibir, argumentei que, se as autoridades e a sociedade em geral se colocarem no lugar dos donos das carroças, abrirem um canal de diálogo, oferecerem alternativas a serem construídas em conjunto com estas pessoas, aí, sim, pode-se avançar nesta discussão. O que me remexe o estômago é que a mesma preocupação não se estende para as pessoas que estão puxando os carrinhos com os próprios braços. Sob o sol escaldante, sob a chuva, com os filhos às vezes na carroça, estas pessoas atrapalham o trânsito, sim, incomodam a vista. Mas não se pode fingir que elas não fazem parte da mesma sociedade, e que a gente não tem nada a ver com isso. A gente tem. E foi assim, pensando em Integridade e nestes donos de carroças, que me veio à cabeça esta história sobre gente e bichos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------&lt;br /&gt;A história de Borracha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os textos sobre a minha experiência com os moradores de rua do jornal Boca de Rua estão neste blog como uma espécie de confissão. Talvez eu não tenha noção ainda do nível de aprendizado que tive com eles. Mas esta história das carroças, de homens puxando cargas, em vez de bichos; de gente jovem morrendo em vida – ou superando a morte com dignidade e integridade - me remete a minha própria história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai tem um olho que, como diz a música de Chico Buarque, “tem um olho sempre a boiar, e outro que agita” porque recebeu um coice, quando menino, de um cavalo chamado Borracha. Julio (meu pai) buscou na memória de sua infância como o bicho ganhou este nome – ao subir as lombas da cidade, puxando a carroça de ferro-velho de meu avô Pedro, o cavalo se esticava tanto, mas tanto, que parecia ser feito de borracha. &lt;br /&gt;A família era pobre, e se virava para se manter economicamente. A religião era o ponto de apoio mais forte, e a perseverança de minha avó Berta o pilar que sustentava a todos. Comprar e vender ferro-velho era então uma profissão tão digna e necessária quanto a reciclagem, isso que naquela época nem se tinha noção dos danos que o meio ambiente – e o ser humano, por conseqüência – viriam a sofrer. &lt;br /&gt;Pois teve um dia que o vô adoeceu. Borracha teve de ser vendido para pagar as contas. E os meninos (Julio e José, os mais velhos), tiveram que trabalhar sozinhos para manter o menorzinho Luiz alimentado, e ajudar a trazer dinheiro para a casa. &lt;br /&gt;Foi vendendo cabides que eles chegaram à faculdade de Medicina. Se revezaram nas festas de formatura pra ver quem usaria o sapato sem furo, a roupa menos puída. Conquistaram diplomas, um nível melhor de vida, criaram filhos e netos com a mesma dignidade e integridade de Pedro e seu cavalo Borracha. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-5359343516893239027?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/5359343516893239027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=5359343516893239027' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5359343516893239027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5359343516893239027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2008/04/sobre-seres-humanos-e-bichos.html' title='Sobre seres humanos e bichos'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-7210433512300235421</id><published>2008-02-09T03:49:00.001-08:00</published><updated>2008-02-09T03:51:39.675-08:00</updated><title type='text'>Histórias do Boca de Rua - oficina de Serigrafia</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt; &lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/O70kE1XEDnw"&gt; &lt;/param&gt; &lt;embed src="http://www.youtube.com/v/O70kE1XEDnw" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt; &lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2003, foi realizada uma experiência de oficina de serigrafia com alguns integrantes do jornal Boca de Rua. As camisetas com o logotipo do jornal foram vendidas durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-7210433512300235421?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/7210433512300235421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=7210433512300235421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7210433512300235421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7210433512300235421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2008/02/histrias-do-boca-de-rua-oficina-de.html' title='Histórias do Boca de Rua - oficina de Serigrafia'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-2202994202686748065</id><published>2008-02-09T02:37:00.001-08:00</published><updated>2008-02-09T04:13:08.862-08:00</updated><title type='text'>Histórias do Boca de Rua 6 - Neri</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt; &lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bBZvsFV6sR4"&gt; &lt;/param&gt; &lt;embed src="http://www.youtube.com/v/bBZvsFV6sR4" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt; &lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neri, da percussão à serigrafia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Neri Martins Carvalho poderia ter sido músico, talvez. Tirava sons incríveis da boca imitando instrumentos de percussão e tinha prazer em cantar – de certa forma, foi ele quem primeiro incorporou o Rap do Mercedez à lista das músicas cantadas pelo grupo de hip hop formado por integrantes do jornal Boca de Rua. Estava no primeiro grupo de rap formado pelo Boca e se apresentou mais de uma vez representando a turma (no vídeo do You Tube ele aparece com os amigos do Boca de Rua: Alex, Gilmar e Alexandre).&lt;br /&gt; Tinha tino para negócios. Era um dos melhores vendedores do jornal, porque possuía uma lábia para convencer seus leitores a comprarem seus exemplares como ninguém. Foi ele quem sugeriu que as camisetas e outros objetos com o símbolo do Boca de Rua virassem uma grife. A idéia não foi levada adiante, mas o interesse pela marca era evidente. &lt;br /&gt; O símbolo do Boca – uma bocarra vermelha escancarada e o nome do jornal entre dois símbolos de igualdade – havia sido criado por Riquinho, um ex-integrante do jornal. Foi estampado em camisetas mais de uma vez. Na primeira delas, em camisetas brancas doadas para a ONG Alice para fazer os uniformes do grupo usados nas palestras, conferências e em outros encontros em que integrantes do Boca estavam presentes vendendo o jornal ou falando sobre o trabalho. &lt;br /&gt; As primeiras camisetas foram entregues para os integrantes do Boca de Rua com o compromisso de que eles mesmos as guardassem. Mas na rua, ou parando em casas de passagem, camisetas se perdem, são trocadas por outros artigos de necessidade mais imediata, ou são roubadas. &lt;br /&gt; No 1º Fórum Social Mundial de que participaram, em 2001, eu levava estas camisetas  para casa, lavava (o grupo era pequeno, eram umas quatro pessoas, no máximo) e trazia no dia seguinte, limpas e passadas, para que as colocassem de novo. Era o uniforme deles – tinham de estar apresentáveis, eu pensava. E na rua não tinham jeito de fazer isso de um dia para o outro. &lt;br /&gt;A grife quase vingou. Um instrutor de serigrafia que dava aulas para um grupo de garotos da Febem, Edinilson, topou fazer uma experiência com o Boca de Rua. A idéia era usar a serigrafia, que também utiliza elementos da comunicação, como outra possibilidade de geração de renda. Se os integrantes do Boca de Rua fizessem as próprias camisetas do uniforme e outras roupas e cartazes que eventualmente poderiam vender, estariam não só ocupando o tempo ocioso, como se especializando num outro trabalho, além do jornal, que lhes afastaria mais tempo de drogas e da violência das ruas. Esta era a proposta.&lt;br /&gt; O instrutor de serigrafia topou o desafio. Era preciso levar a turma de interessados com pulso firme – eles iriam lidar com tinta, solvente, precisavam ter disciplina, freqüência. E estariam aprendendo algo novo. &lt;br /&gt; As imagens do vídeo registrando esta experiência são emocionantes (uma delas está no You Tube - Neri aparece no final, carregando camisetas). Eles trabalharam em serigrafia, produziram suas próprias camisetas e as venderam durante o Fórum Social Mundial. &lt;br /&gt; Vencida esta etapa, a seguinte era levar adiante a combinação do que fazer com o dinheiro da venda. Haviam combinado que os primeiros trocos seriam reinvestidos no projeto de serigrafia, para comprar mais tinta e dar continuidade ao trabalho. &lt;br /&gt; No final do evento, praticamente todas as camisetas haviam sido vendidas. Foi um sucesso. Mas apenas dois deles retornaram com uma parte do dinheiro combinado para reinvestir no projeto. O grupo ainda não havia amadurecido para ir adiante nesta etapa. Precisavam de mais tempo. &lt;br /&gt; O projeto da serigrafia não continuou. Um dos motivos, na época, foi  porque o instrutor ficou desempregado e teve de buscar outras atividades. Trabalho voluntário seria pedir-lhe demais quando ele estava preocupado com a própria sobrevivência. &lt;br /&gt; As telas com o desenho do logotipo do Boca de Rua estão guardadas na sede da Alice. Quem sabe um dia o sonho da grife proposto por Neri ainda vire realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CENA 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Neri e L., sua namorada, estavam no meu carro. Íamos para o Hospital Presidente Vargas ver o bebê do casal, que havia nascido com problemas. Como a mãe usava drogas e vivia na rua, havia ainda o risco de o casal perder a guarda da criança. &lt;br /&gt; Só notei que uma viatura da polícia estava me dando sinal para parar quando ela chegou mais próximo do meu carro. Os policiais haviam visto Neri e L. maltrapilhos dentro do carro, e acharam que eu estava a perigo, sendo ameaçada por marginais. Parei o carro, mostrei a pilha de jornais que sempre carregava no porta-malas, expliquei o projeto, e disse que estava tudo bem, Neri e L. faziam parte da equipe. Ele riu muito do episódio. Estava acostumado com a discriminação. Eu não. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CENA 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Neri fez parte das primeiras turmas do Boca de Rua que participaram do Fórum Social Mundial em Porto Alegre. &lt;br /&gt; No 1º Fórum Social Mundial, os vendedores do Boca de Rua venderam a primeiríssima edição do jornal. O interesse do público era enorme, os elogios constantes aos textos que eles podiam afirmar com segurança que eram feitos por eles mesmos. Estavam todos satisfeitos, orgulhosos, felizes por terem ganhado uma boa quantia em dinheiro e terem sido valorizados e recebidos carinhosamente dentro do espaço de uma universidade  (PUCRS) à qual eles nunca tinham tido acesso daquela forma. Não haviam esmolado. Tinham trabalhado, e muito. &lt;br /&gt; No final do dia, eles mal se continham de alegria. Tinham vivido sob uma nova identidade de grupo, vestidos com a camiseta do Boca de Rua. &lt;br /&gt; Eu os havia trazido de carro. No porta-malas, no estacionamento da PUCRS, haviam ficado os pertences que sempre carregam pela rua: camisetas que vestiam antes de pôr o uniforme, restos de comida, e a garrafinha com o loló, companheiro do dia-a-dia. &lt;br /&gt; Terminado o trabalho do dia, recolhemos a banca improvisada em frente ao prédio 41 da PUCRS, e seguimos em direção ao estacionamento. Eles estavam distraídos, comemorando as vendas e discutindo o que iriam fazer com o dinheiro. Em determinado momento, olhei pra trás, e vi um bando de policiais da Brigada Militar nos seguindo. &lt;br /&gt; Ninguém do Boca de Rua usava crachá de participante do Fórum, e nem nós havíamos pedido autorização para montar nossa banquinha para vender o jornal ali. &lt;br /&gt; Os policiais talvez não compreendessem a importância do momento para o grupo. Os vendedores do Boca de Rua seriam humilhados se os guardas os parassem para pedir identidade e esclarecimento sobre quem eram, o que estavam fazendo ali e por que –aliás, como era de praxe quando estavam na rua. Seriam revistados porque eram um grupo “diferente” dos estudantes e estrangeiros que circulavam pelo local.&lt;br /&gt; “Esqueci de uma coisa, vamos ter de voltar”, eu disse, com medo de que, se nos afastássemos muito do local onde estava o público do Fórum Social Mundial, e se os guardas fossem conosco até o estacionamento, ficaríamos longe das pessoas que poderiam nos dar apoio por estar ali. Pior: o dia dos felizes integrantes do Boca de Rua teria sido destruído pelo preconceito e pela humilhação de serem discriminados e vasculhados como suspeitos. &lt;br /&gt; Deixei o grupo na frente do prédio 41, sem que eles tivessem notado o que estava acontecendo. E fui direto à sala de imprensa onde estava o fotógrafo Luiz Abreu, chefe da fotografia, e marido de Rosina Duarte, também jornalista do grupo. Abreu não titubeou quando soube do ocorrido. Dependurou a máquina fotográfica no pescoço e nos acompanhou até o estacionamento. &lt;br /&gt; Nesse ínterim, Rosina se uniu a nós na comitiva. Com aquela super câmera de Abreu nos abrindo caminho, chegamos ao estacionamento, sãos e salvos. Conseguimos sobreviver a esta situação e chegamos a acreditar que um outro mundo realmente era possível, pelo menos enquanto a polícia não alcançasse os vendedores do Boca novamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CENA 3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Neri foi morrendo aos poucos. Foi definhando e deixando o sorriso maroto e bonito ficar banguela, resultado das brigas na rua. Passou um tempo sem vir às reuniões do Boca. Fugiu do hospital e morreu em 9 de junho de 2005, aos 23 anos de idade, exatamente uma semana depois de Alca. Descobrimos depois de sua morte que ele tinha família em Caxias do Sul e foi lá que o enterraram. Junho de 2005 foi o mês mais triste da história do Boca de Rua. Neri e Alca não estavam mais conosco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-2202994202686748065?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/2202994202686748065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=2202994202686748065' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/2202994202686748065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/2202994202686748065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2008/02/histrias-do-boca-de-rua-6-neri.html' title='Histórias do Boca de Rua 6 - Neri'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-5813671877748310560</id><published>2008-02-07T16:36:00.000-08:00</published><updated>2008-02-07T17:49:41.620-08:00</updated><title type='text'>Histórias do Boca de Rua - Alca e suas histórias</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt; &lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qCzuRv3ma6M"&gt; &lt;/param&gt; &lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qCzuRv3ma6M" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt; &lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André tinha o dom da palavra. E deixou ela registrada em vídeos, no jornal Boca de Rua e em seus cadernos de anotações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-5813671877748310560?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/5813671877748310560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=5813671877748310560' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5813671877748310560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5813671877748310560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2008/02/histrias-do-boca-de-rua-alca-e-suas.html' title='Histórias do Boca de Rua - Alca e suas histórias'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-3067998212489698882</id><published>2008-02-07T11:11:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T14:44:41.322-08:00</updated><title type='text'>Histórias do Boca de Rua 5 - Alca</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/R6tZI5Uhn_I/AAAAAAAAAHc/VxtilFN5gwU/s1600-h/Alca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/R6tZI5Uhn_I/AAAAAAAAAHc/VxtilFN5gwU/s320/Alca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164319407071141874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;André Luis Cardoso de Araújo, o Alca&lt;br /&gt;(1974-2005)    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apelido surgiu muito antes da sigla do livre comércio. Conheci André Luis Cardoso de Araújo, o Alca, por uma reportagem do jornal Zero Hora sobre a Turma dos Cachorrinhos – grupo que havia sido alfabetizado na Praça do Rosário pela professora Deirdre Bicca. Na reportagem feita pela jornalista Eliane Brum, Alca dizia que o sonho dele era ter uma casa, e não morreria antes disso. &lt;br /&gt; Quando eu e Rosina Duarte começamos a trabalhar com as pessoas da Praça do Rosário a idéia de fazer um jornal que fosse a voz deles, Alca sempre era citado. Parecia uma figura mítica, fazia parte das histórias dos moradores de rua. Era amigo do Mercedez, do Bocão, do Clóvis. Quem não o conhecia pessoalmente, pelo menos tinha ouvido falar dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se integrou à equipe do Boca de Rua quando já estávamos trabalhando no Parque Redenção, ao lado do Auditório Araújo Vianna. Os encontros aconteciam aos sábados, a partir das 15h. Com aquele vozeirão e um sorriso largo, Alca impunha respeito e simpatia. Mais do que isso, conseguia expressar com emoção e objetividade, em frases poéticas até, o que os outros sentiam e tentavam organizar em palavras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alca tinha uma madrinha – sua protetora e incentivadora, Mariléia -, que fomos conhecendo aos poucos, pelas histórias que ele contava, assim como Tonica, mãe de Aninha, de quem ele sempre falava com carinho. Delas, soubemos depois, ele tinha recebido ajuda e incentivos para estudar e se formar em cursos como o de cabelereiro. Tive o privilégio de ser convidada pra esta formatura e ainda guardo as fotos que fiz dele, sorridente, feliz, na festa realizada depois numa pizzaria. Era formado também nos cursos de padeiro e confeiteiro - fez mais de uma vez o bolo da festa de fim de ano do Boca de Rua. Lembro do bolo de frutas, delicioso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como havia prometido na reportagem da Zero Hora, Alca havia realmente conseguido conquistar sua casa, que ficava na avenida Bento Gonçalves. Era, portanto, um dos poucos do grupo que tinha um endereço fixo de moradia própria, e participava com assiduidade e interesse de grupos como Gapa, Nuances, além de conferências e seminários sobre os direitos dos moradores de rua, das crianças e adolescentes em situação de risco, sobre HIV/Aids. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Foi criado junto com outras crianças órfãs. Havia sido abandonado pelo pai, e era muito agradecido pela instituição que o acolheu. Andava sempre cercado de crianças. Ele dizia que queria fazer algo por elas. Também por isso acabou se tornando uma espécie de monitor do Boquinha (suplemento infanto-juvenil do Boca de Rua). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Alca tinha fome de aprender. Era meio cabeça-dura, teimoso, aparentemente agressivo, mas ouvia e absorvia avidamente tudo o que se falasse para ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E que dom ele tinha! Quem ouvia seus discursos, nas oficinas e conferências, ficava encantado. O domínio sobre as palavras, seja contando a história de sua vida, ou colocando-se como porta-voz das histórias dos outros, aparecia também na escrita. Podia não ter um português corretíssimo, mas entre as “heranças” que Alca deixou ficaram textos, crônicas e poemas registrados à mão em páginas e cadernos inteiros. É praticamente um livro de memórias pronto, esperando editor para ser publicado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HIV positivo, era o exemplo de como era possível conviver bem com a doença, tomando os remédios e fazendo exames periódicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, quando o marido de Mariléia, sua madrinha, me ligou no dia 2 de junho de 2005 para avisar que Alca havia morrido, a primeira sensação foi de incredulidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Alca? Não pode! Ele tomava remédios, tinha casa, tinha sonhos... (pergunte a um morador de rua se ele tem sonhos – a maioria não consegue descrever nenhum), era membro ativo do Gapa... ele, não!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o último que poderíamos imaginar perder assim... a descrição, feita mais tarde pelos próprios amigos, de como ele morreu, nos faz crer que poderia ter sido uma overdose, ou uma reação agravada pelo uso de antibióticos fortes para curar uma pneumonia (uma doença oportunista da Aids). Nunca tivemos certeza, e isso não era importante no momento, embora sua morte tenha suscitado reuniões depois,  com o grupo, para discutir estes temas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo antes, havia corrido um boato entre nós de que outro integrante, Neri Martins Carvalho, estava muito doente. Ele não aparecia mais nas reuniões e, quando um participante do Boca trouxe a notícia de que Neri tinha morrido, começamos uma busca pelos hospitais e por familiares para confirmar a informação. Passou uma ou duas semanas e Neri reapareceu. Magro, abatido, mas vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, quando tomei coragem e liguei finalmente para Rosina para avisá-la da morte de Alca, lembro de ter dito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho uma notícia ruim para te dar.&lt;br /&gt;- O Neri morreu? – perguntou Rosina.&lt;br /&gt;- Não, foi Alca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No enterro de Alca, estavam lá os amigos conquistados nas várias fases da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alca, André ou Andréia, como era seu nome de guerra, deixou saudades, muitas saudades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de pensar nele como uma energia ambulante, contagiante, de força, de luta e de perseverança pela vida. Como um pássaro livre, que sobrevoa nossas cabeças com suas asas poderosas, indo longe pra buscar outros mundos onde agitar suas idéias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-3067998212489698882?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/3067998212489698882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=3067998212489698882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/3067998212489698882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/3067998212489698882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2008/02/histrias-do-boca-de-rua-5-alca.html' title='Histórias do Boca de Rua 5 - Alca'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/R6tZI5Uhn_I/AAAAAAAAAHc/VxtilFN5gwU/s72-c/Alca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-8701234295539621407</id><published>2007-12-30T16:03:00.000-08:00</published><updated>2008-02-07T18:42:05.356-08:00</updated><title type='text'>Histórias do Boca de Rua 4 - Mercedez</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt; &lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NsAifJtEJcY"&gt; &lt;/param&gt; &lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NsAifJtEJcY" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt; &lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tal de Mercedez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que lembro de Luciano Felipe da Luz, o Mercedez que trabalhou no jornal Boca de Rua, a cena que me vem à cabeça é eu, ele e a jornalista Rosina Duarte no meu carro, cantando juntos a música "Aquarela" de Toquinho, e depois entrando rindo e abraçados no Hospital Psiquiátrico São Pedro. "Onde fica a Unidade de Desintoxicação de dependentes químicos?", perguntamos ao guarda que, sem entender o que duas branquelas de nariz longo e afilado e um negro reluzente e feliz faziam por ali, nos olhou meio constrangido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fugíamos do estereótipo dos pacientes do São Pedro. Mercedez estava com um macacão jeans claro, bem arrumado, cabelo e barba feitos, bem diferente do homem atirado no chão que havíamos conhecido... há quanto tempo? Talvez nem seis meses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A aproximação dele conosco havia sido gradual. Ele ficava estirado junto a uma das paredes do Colégio Rosário, em Porto Alegre, na esquina próxima ao viaduto. Completamente "chapado" - geralmente de loló -, sujo e mal cheiroso. Naquela época, nos reuníamos com os integrantes do jornal Boca de Rua na Praça do Rosário, onde em 2000 o projeto começou. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Mercedez conhecia praticamente todos os integrantes do Boca de Rua que haviam pertencido à Turma dos Cachorrinhos – e eram chamados assim porque o cachorro-quente da carrocinha perto do colégio era famoso. Eles trabalhavam ali como guardadores de carros. Muitos haviam sido alfabetizados pela professora Deirdre Bicca, e ganharam notoriedade passageira quando foram entrevistados para o jornal Zero Hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Numa das tardes de trabalho, que acontecia sempre aos sábados, quando Mercedez já estava mais próximo do grupo, Bocão, ele e Neri ensaiavam uma percussão e um rap. Todos cantavam. Eu aproveitei que estava com o gravador, usado para treinar com eles as entrevistas feitas para o jornal, e comecei a gravar a cantoria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não lembro bem como começou, só lembro que, num determinado momento, Mercedez começou a cantar um rap que ele teria feito. Rosina, antenada, passou a anotar a letra. Ele ia criando a música, e ditou a letra do rap, palavra por palavra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esse momento tornou-se parte da história do Boca de Rua – quando Mercedez morreu, o jornal fez uma edição especial inteira sobre o amigo que partiu. E a letra do Rap do Mercedez estava lá, na íntegra. Neri, nosso rapper natural (também já falecido), acabou incorporando a música ao repertório do grupo de rap que foi criado tempos depois, sob a coordenação de Mário Pezão, numa oficina dentro do Projeto de Descentralização da Cultura da Prefeitura. E quando o grupo se apresentou pela primeira vez, Belo, Neri e Marcos cantaram o Rap do Mercedez. Pezão encarregou-se de lapidar, colocar ritmo. Tiano, atual coordenador do grupo Realidade de Rua – formado por alguns integrantes do Boca de Rua e outros que se aproximaram depois, no projeto do Gapa/RS  - deu seu toque e aprimorou as apresentações do Rap do Mercedez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mercedez sempre volta para mim em cenas da memória muito nítidas. Na foto mais bonita que tirei dele, está de pé, ancorado no monumento da Praça do Rosário, com um blusão de lã e um olhar confiante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em outro momento, já mais frágil, recordo de um relato de Rosina sobre uma conversa que Mercedez puxou com ela nos primeiros tempos de aproximação com o grupo: “Quer ser minha mãe?”, perguntou. Ao que Rosina respondeu: “Mãe não posso ser, mas posso ser tua amiga”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ficamos mesmo amigas de Mercedez. A ponto de, após a visita ao Hospital São Pedro, ele ter insistido em nos levar para apresentar-nos à família e termos conhecido seus filhos algum tempo depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aquele homenzarrão que provocava medo e pena das pessoas numa primeira impressão, tinha na verdade um coração enorme. Adorava os filhos, falava sempre deles, e seu sonho era reatar o contato com a família. Ajudava os amigos de rua como podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para mim Mercedez revelou-se encantador. E não só pela música “Aquarela”, aprendida quando era criança no coral do abrigo Dom Bosco, mas pelo apreço que tinha por outro marco da infância: ele sempre quis ter uma flauta doce. Comprei a flauta para ele, mesmo sabendo do risco de perdê-la na rua. Na época, com o intuito de incentivar os integrantes a voltarem para os estudos e a guardar um pouco de suas histórias, demos para eles pastas de elásticos onde poderiam guardar seus documentos e material do colégio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Foi na pasta azul que Mercedez colocou sua flauta, sua carteira de identidade e certidão de nascimento. E escreveu, na parte de dentro da capa: jornalista e jornaleiro. A pasta ficou guardada num armário dentro do Acolhimento Noturno – como muitos de seus amigos, era comum Mercedez perder a carteira de identidade ao dormir na rua. Guardar sua identidade, portanto, junto às coisas do Boca, era algo mais do que simbólico para ele e para nós.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um dia, em uma das visitas para encontrá-lo no Acolhimento Noturno, tive um susto. No mural do abrigo, além do jornal Boca de Rua, estava lá uma foto minha e de Rosina com Mercedez – sempre que eu tirava fotos dos integrantes do Boca, costumava dar-lhes de lembrança, numa espécie de retorno da alma a seus donos. Nós havíamos sido incorporadas definitivamente a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A última vez que o vi estava muito debilitado no Abrigo Marlene. Havia recém saído do hospital – sempre teve medo de ficar internado e havia fugido outras vezes, o que acabou agravando as complicações do HIV. Fraco, ainda muito doente, mal conseguia falar direito. Viajei no dia seguinte, a trabalho, e foi num canto do sertão do Brasil que fiquei sabendo pelo telefone da morte de Mercedez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para fazer a edição especial sobre ele levamos uma parte do grupo ao cemitério da Santa Casa. O grupo rezou, questionou um funcionário do cemitério por que não podiam colocar nem uma foto do Mercedez sobre sua cruz e escreveu uma das edições mais bonitas e tristes do jornal Boca de Rua. Mercedez estava morto, mas havia sobrevivido à indiferença das ruas. Sua história, pelo menos, foi registrada no jornal. E sua música, o rap, continua sendo cantada em todas as apresentações dos integrantes do Boca de Rua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-8701234295539621407?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/8701234295539621407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=8701234295539621407' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/8701234295539621407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/8701234295539621407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2007/12/esse-tal-de-mercedez.html' title='Histórias do Boca de Rua 4 - Mercedez'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-5299675480676853078</id><published>2007-10-18T11:02:00.000-07:00</published><updated>2007-10-22T16:20:55.840-07:00</updated><title type='text'>O dia em que Dayrell subiu na árvore</title><content type='html'>Em 25 de fevereiro de 1975, o estudante Carlos Alberto Dayrell subiu numa árvore na avenida João Pessoa, em frente à Faculdade de Direito da UFRGS, para evitar que fosse derrubada. Neste vídeo, o ambientalista Augusto Carneiro conta como começou o episódio. O vídeo faz parte de uma série de entrevistas feitas com Carneiro este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="154" height="187"&gt; &lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pqOIh7X1I8g"&gt; &lt;/param&gt; &lt;embed src="http://www.youtube.com/v/pqOIh7X1I8g" type="application/x-shockwave-flash" width="154" height="187"&gt; &lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-5299675480676853078?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/5299675480676853078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=5299675480676853078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5299675480676853078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5299675480676853078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2007/10/blog-post.html' title='O dia em que Dayrell subiu na árvore'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-8910072062264560348</id><published>2007-10-17T16:51:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T14:44:41.512-08:00</updated><title type='text'>O ambientalista Augusto Carneiro e suas histórias</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rxalojx2dNI/AAAAAAAAAA0/cnei3o0mzhs/s1600-h/Gaia+1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122463742398198994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rxalojx2dNI/AAAAAAAAAA0/cnei3o0mzhs/s320/Gaia+1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;A pasta de couro surrada o acompanha há anos, desde que era membro do Partido Comunista (do qual foi expulso depois de denunciar as atrocidades cometidas por Stalin). Nela, Augusto César Cunha Carneiro carrega a vida em papéis: são artigos seus e do amigo José Lutzenberger, companheiro e mestre na luta em defesa do meio ambiente. De vez em quando, leva também um dos livros e várias das fotos de parques, praças e árvores que ajudou a plantar e a implantar e que hoje compõem parte de sua rica biblioteca. Na forma de xerox, suas idéias são espalhadas em panfletos distribuídos em eventos e na Feira Ecológica da Rua José Bonifácio, em Porto Alegre, em uma barraca de livros à venda, aos sábados pela manhã.&lt;br /&gt;Carneiro é um daqueles velhinhos de cabelos brancos e coração a 100 por hora. Tem 84 anos e uma energia invejável. Já foi contador, advogado, funcionário público e naturista. Seu currículo inclui a fundação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e da Pangea Associação Ambientalista. Ele é membro do Conselho da Fundação Gaia, e já atuou no conselho do DMAE.&lt;br /&gt;Tive o privilégio de ouvi-lo contar sua vida e pude registrar suas histórias em DVD. O trabalho, feito por uma cinegrafista amadora como eu, talvez deixe a desejar em técnica, mas é recheado de tanta vida, que a imagem por vezes sem foco perde importância diante do conteúdo. As conversas que tive com Carneiro renderam cinco DVDs que foram doados à Fundação Gaia. Cada pedaço da memória ali registrado ajuda a recompor as aventuras e as lutas dos ambientalistas dos anos 70 para cá. Estão ali as histórias da criação da Agapan, do Parque do Lami, do estudante Dayrell que subiu numa árvore para evitar que fosse derrubada (o vídeo Carneiro e Dayrell, disponível no YouTube, dá uma amostra).&lt;br /&gt;Fiel escudeiro de Lutzenberger, mas nem sempre tão lembrado como ele, Carneiro foi homenageado durante o 2º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental realizado de 10 a 12 de outubro de 2007 no Salão de Atos da Ufrgs, em Porto Alegre. Recebeu uma placa de reconhecimento dos ecojornalistas na abertura do encontro e o vídeo com um resumo de suas histórias no encerramento.&lt;br /&gt;Mas Carneiro ainda tem muito pela frente, não pode parar. Em sua casa ainda mantém um enorme arquivo sobre meio ambiente, que aos poucos vai repassando para entidades como a Fundação Gaia e o Núcleo Amigos da Terra. São pastas e mais pastas com recortes de jornais antigos, artigos de José Lutzenberger, Henrique Roessler, além de livros que recontam a história de parques, praças e da cidade de Porto Alegre. Material precioso de pesquisa, sua angústia no momento é como organizar e armazenar tudo isso em um só lugar, com o devido respeito, para que a história não se perca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-8910072062264560348?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/8910072062264560348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=8910072062264560348' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/8910072062264560348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/8910072062264560348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2007/10/o-ambientalista-augusto-csar-cunha.html' title='O ambientalista Augusto Carneiro e suas histórias'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rxalojx2dNI/AAAAAAAAAA0/cnei3o0mzhs/s72-c/Gaia+1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-7545754437462605479</id><published>2007-10-10T10:00:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T14:44:41.709-08:00</updated><title type='text'>Conversa com Iracilda Toledo, presidente da Associação de Familiares e Vítimas da Chacina de Vigário Geral, Rio de Janeiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rw0Frh2WCII/AAAAAAAAAAc/yO0rrrOnBPM/s1600-h/Iracilda1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119754596768942210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rw0Frh2WCII/AAAAAAAAAAc/yO0rrrOnBPM/s320/Iracilda1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;No dia 11 de outubro de 2007, Iracilda Toledo, 50 anos, dois filhos e um neto, vai viajar do Rio de Janeiro a Brasília com 23 mães de vítimas de chacinas, mães de desaparecidos, e de uma nova categoria: dos “arrastados por ônibus”. A viagem tem como destino o Ministério da Justiça. O grupo pretende se reunir com o ministro Tarso Genro para solicitar que sejam formados núcleos de atendimento específico às vítimas de violência em cada Estado, com ouvidoria, policiais e outros profissionais “honestos”.&lt;br /&gt;“Para que mais um grupo, se já existem comissões de direitos humanos na Câmara, no Senado, além da Secretaria Especial de Direitos Humanos, e tantos órgãos que deveriam atuar nesta área?”, perguntei a ela. “Ninguém confia em mais nada”, respondeu.&lt;br /&gt;Conversei com Iracilda numa manhã nublada da Cidade Maravilhosa, quando estive por lá em busca de outra reportagem. Coincidiu que Iracilda estava indiretamente envolvida na história cujos detalhes eu fui checar no Rio de Janeiro. Pedi-lhe que me contasse como se tornou uma ativista das causas sociais. Esta é a sua versão da história que ficou tristemente conhecida como Chacina de Vigário Geral:&lt;br /&gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Comecei o movimento em 1993 quando perdi meu marido na chacina. Fiz do luto a luta e nunca mais parei. Abandonei casa, filhos, família. Se tivesse parado naquela época, meu arrependimento seria maior. Só vou parar quando o país estiver em paz mesmo, não houver mais crimes, assaltos, e se puder andar tranqüilamente nas ruas. Já abracei outros casos: das mães do Maracanã, da Cinelândia, do Via Show, dos Queimados de Nova Iguaçu. Vai ser difícil eu parar.&lt;br /&gt;A Chacina de Vigário Geral foi uma retaliação que a polícia fez em 29 de agosto de 1993. Um dia antes, quatro policiais haviam sido mortos. Falaram na época que os policiais haviam sido mortos por traficantes da favela, mas tudo ficou no ar.&lt;br /&gt;No dia 29, policiais entraram em Vigário Geral e mataram 21 trabalhadores. Meu marido era chefe da estação da Rede Ferroviária Federal– trabalhava ali fazia 20 anos. Uma das sobreviventes perdeu a família toda: pai, mãe, cinco irmãos, uma cunhada. Só as crianças – cinco – sobreviveram, e ela ficou com todas para criar.&lt;br /&gt;Eu estava em casa. Por incrível que pareça, na hora da chacina havia me dado um sono profundo. Geralmente eu ia atrás do meu marido, mas naquela noite não fui. A chacina começou por volta das 23h30min.&lt;br /&gt;Naquele dia, houve o jogo Brasil X Bolívia, para eliminação da Copa. O Brasil venceu por 6 a 0. Meu marido assistiu ao jogo em casa com dois amigos, porque ali tinha uma tevê grande, a cores. Eu disse que ia à igreja, e ele foi para o bar, com o filho de 12 anos, comprar cigarro. Às 23h10min, chamei meu filho para voltar para casa – tinha que tomar banho e dormir para ir à escola no dia seguinte. Se ele tivesse ficado, teria morrido também...&lt;br /&gt;Acordei à meia-noite, com meu sogro, que é presidente da Associação dos Moradores de Vigário Geral, chamando meu marido porque havia acontecido uma chacina no Bar do Joaci, estavam todos mortos. Foi quando despertei para minha luta por Justiça.&lt;br /&gt;A força veio primeiro de Deus, depois dos filhos. No último dia 29 de agosto, quando fez 14 anos, meu filho disse que queria tanto ver o rosto do pai, que já não lembrava mais dele. Não é justo alguém tirar a vida do outro de maneira nenhuma. Para isso existem leis. Mataram 21 trabalhadores e uma família inteira.&lt;br /&gt;De lá para cá, vi o quanto se precisa lutar para diminuir a violência, a injustiça, tudo, porque hoje não há mais justiça. Há inquéritos parados há nove, 10 anos. Precisa ter alguém para investigar a fundo. Pessoas sérias, porque quem vai denunciar tem medo.&lt;br /&gt;O caso de Vigário Geral foi emblemático: 53 policiais foram denunciados, 33 autuados e responsabilizados no processo. Dez foram absolvidos. Seis morreram antes de irem a julgamento. Sete estão presos.&lt;br /&gt;Mas na maioria das vezes os casos não vão até o fim, porque os familiares desistem, porque são tratados mal, ouvem que o filho era bandido, são ameaçados. Sofri muita represália, e fiquei fora do Rio de Janeiro durante 11 anos&lt;/em&gt;. ”&lt;br /&gt;A história de Iracilda não pára aí. Pergunte a ela detalhes sobre as outras chacinas – ela vai contar como se passaram. Pergunte a ela sobre as indenizações que o Estado começou a pagar durante o governo de Garotinho, ela também sabe. Pergunte a ela quem são os policiais honestos com quem pode contar, ela diz.&lt;br /&gt;No final de nossa conversa, antes de partir, Iracilda e eu comentamos a notícia do jornal O GLOBO de 25 de setembro: Polícia prepara ação para pacificar o Alemão. Na nota de abertura de página, a jornalista Ana Cláudia Costa contava que antes de o Complexo do Alemão ser alvo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o secretário nacional de Segurança, Antônio Carlos Biscaia, havia determinado que o conjunto de favelas passasse por uma ação “pacificadora para erradicar a força armada”. Mas o que mais nos chamou a atenção na nota foi o parágrafo em que o senador Marcelo Crivella (PRB) dizia que ninguém mais morreria de bala perdida na favela. A solução encontrada: construir casas com material mais resistente, à prova de balas. “Vou ligar para minha amiga que mora lá e dizer que agora, sim, vai estar protegida”, ironizou Iracilda, pouco antes de posar para uma foto na frente da Cinelândia, no Rio de Janeiro, onde acontece a maior parte dos protestos que ela e as outras mães organizam. Em cada um, chegam a reunir mais de 300 mães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-7545754437462605479?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/7545754437462605479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=7545754437462605479' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7545754437462605479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7545754437462605479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2007/10/conversa-com-iracilda-toledo-presidente.html' title='Conversa com Iracilda Toledo, presidente da Associação de Familiares e Vítimas da Chacina de Vigário Geral, Rio de Janeiro'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rw0Frh2WCII/AAAAAAAAAAc/yO0rrrOnBPM/s72-c/Iracilda1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-5427842935356628369</id><published>2007-10-05T10:10:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T14:44:41.867-08:00</updated><title type='text'>Histórias do Boca de Rua 3 - Arquivos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rx05qTx2djI/AAAAAAAAADg/0EbwBf8kYRA/s1600-h/reuniao+eu+.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124315350044145202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rx05qTx2djI/AAAAAAAAADg/0EbwBf8kYRA/s320/reuniao+eu+.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Este texto foi escrito por mim em março de 2007 e publicado no site Olhares da Cidade (confira pelo link nas sugestões do blog:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O trabalho com os integrantes do jornal Boca de Rua – pessoas em situação de rua de Porto Alegre – tem me ensinado que, mais do que ser politicamente corretos, temos que ser politicamente e sensivelmente humanos para trabalhar em projetos com esta parcela da população. É um aprendizado doloroso e constante. Doloroso porque não se trata de um trabalho apenas para preencher uma monografia de faculdade, mas de recolher e ajudar a ordenar na forma de notícia (no caso do Boca de Rua) histórias de vidas abandonadas, violentadas, humilhadas pelo desprezo alheio, que ainda preservam em sua essência o desejo do amor, do carinho, da atenção, do respeito – coisas pelas quais todos ansiamos. E constante, porque exige um repensar freqüente de valores.&lt;br /&gt;O que é certo e o que é errado, afinal de contas? Que cidade é esta em que vivemos em que os ditos “cidadãos de bem” se trancafiam em suas casas atrás de grades e fecham o vidro do carro rapidamente diante de pedintes que podem ser assaltantes? Vive-se com medo do outro. Um outro que pode, de fato, matar. Mas tem também um outro que simplesmente vive na praça, não quer saber de violência, a não ser como autodefesa diante da própria fragilidade. Uma pessoa que quer o direito de permanecer e circular pelas ruas, sem ser espancado ou barrado por quem quer que seja.&lt;br /&gt;O Boca de Rua faz isso: traz à tona as histórias, os sentimentos, as demandas destas pessoas. E os transforma, por meio da palavra, em integrantes de um grupo poderoso, capaz de derrubar preconceitos, mitos, medos. Poderia e deveria ser mais – não apenas um canal de comunicação, mas de ocupação de tempo para reduzir o tempo em que ficam expostos às drogas, alternando atividades de cultura e trabalho rentável, para que não tenham de se conformar pedindo dinheiro nas esquinas ou recebendo esmolas sob o olhar acuado de seus benfeitores forçados.&lt;br /&gt;Talvez outras parcerias possam preencher esse vazio que o jornal abre quando escancara as possibilidades de cidadania por meio da elaboração de entrevistas e textos. Parcerias na área de serigrafia, por exemplo, para a produção de camisetas, bonés e bolsas que eles usariam nas vendas – idéia da grife Boca de Rua que surgiu com um ex-integrante, já falecido. Parcerias, talvez, para instrumentalizá-los com uma língua estrangeira, para vender melhor o jornal em eventos, ou para garantir a eles acesso a atividades culturais que lhes desvendem o mundo dos livros, da música além do rap, do teatro consciente.&lt;br /&gt;O jornal Boca de Rua é um projeto em construção. Para seus integrantes, é um passo em direção à reconquista da auto-estima. Ali eles não são números de estatísticas do governo, são simplesmente gente. Para a equipe formada por uma estudante de Jornalismo, um psicólogo e uma jornalista, é a forma encontrada de tentar mudar algo, ainda que minúsculo, na estrutura injusta e desumana da sociedade em que vivemos.&lt;br /&gt;Este trabalho exige diálogo entre os integrantes da equipe para descarregar ansiedades e frustrações, comemorar vitórias e pensar juntos saídas para impasses e problemas que vão desde carregar jornais para distribuição enquanto não se tem uma sede própria, até ajudar o grupo de rua a ir além dos limites impostos pela sociedade e por eles mesmos no crescimento pessoal. Se não há esse diálogo, o projeto se torna um fardo difícil de carregar, e fica mais tentador para os técnicos desistirem ou partirem para outro projeto menos “pesado”. Além disso, em meio a tantas mortes, doenças, tragédias pessoais, é preciso lembrar de comemorar a vida e valorizar as demonstrações que ela dá em pequenos grandes gestos de delicadeza e atenção de cada um dos integrantes do Boca.&lt;br /&gt;A “Metodologia Boca” consiste, por tudo isso, em recuperar histórias, aprender a ouvir o outro, incentivar a escrita, melhorar a articulação do pensamento e diminuir os danos do assistencialismo. Multiplicá-lo depende da capacidade dos “técnicos” de repassar conhecimento para que os integrantes em situação de rua se tornem donos da própria história, participem de outros projetos, reorganizem idéias e, quem sabe, até sua própria vida. Este é um processo longo, que no momento não depende apenas do jornal.&lt;br /&gt;Mesmo depois de seis anos de trabalho, convivendo semanalmente com pessoas que vivem pelas ruas, posso dizer que não conheço essa realidade. Imagino, e chego próximo dela com os relatos destas pessoas, mas isso não é suficiente. A única saída que vislumbro possível, num processo para ajudá-los, é ouvir o que têm a dizer, o que querem, como se sentem.&lt;br /&gt;Quando penso no enorme vão que separa a sociedade em grupos distintos e com direitos desiguais, lembro de uma experiência pela qual passei recentemente. Num curso para ensinar os profissionais da imprensa a prevenir riscos em coberturas jornalísticas, um grupo de jornalistas foi levado para uma “selva” simulada para aprender noções de sobrevivência: como tirar da natureza a comida, a bebida e o abrigo de que precisam. Naquele dia, sem saber que não voltariam ao alojamento, tomaram o café da manhã e saíram com as vestes do corpo e uma mochila (onde deveriam ter apetrechos de sobrevivência). Ao longo do dia, souberam que teria de aplicar, na prática, as lições do dia e, juntos, coletivamente, pensar na sobrevivência.&lt;br /&gt;Imediatamente começaram os conflitos: parte do grupo se revoltou e não conseguia fazer absolutamente nada, a não ser reclamar e tentar fugir do lugar. Outros se uniram para fazer uma fogueira (a noite estava muito fria) e assar uma galinha, na expectativa de, no dia seguinte, voltar ao alojamento.&lt;br /&gt;Recordo dos comentários das pessoas no entorno da fogueira: reclamações de frio, fome, sono, sensação de abandono. Um deles, num determinado momento, sem conseguir dormir, chegou a comentar: “Agora entendo como devem se sentir os moradores de rua”.&lt;br /&gt;Tentar colocar-se no lugar do outro talvez seja o início de um caminho, certamente não é o único e nem o melhor. É muito fácil desprezar e pisar quem não tem nada, nem auto-estima, nem bens materiais. Tudo na rua parece descartável, inclusive alguns sentimentos, que é para não doer tanto. Nos abrigos, eles são números. Nas manchetes dos jornais, são bandidos e mendigos. Na vida real, podem ser qualquer pessoa que tenha perdido a casa, a família, a confiança nos governantes, a privacidade, a aparência de ser igual aos outros."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Obs: a foto mostra uma das reuniões da equipe do Boca de Rua que coordenei. Na época, nos reuníamos numa praça em frente ao antigo Bandejão Popular, na avenida Erico Verissimo, próximo à Rótula do Papa. A idéia de fazer uma reunião na rua mesmo, sobre a grama, além de tirar o caráter de institucionalização, me dava uma sensação de liberdade difícil de descrever. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-5427842935356628369?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/5427842935356628369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=5427842935356628369' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5427842935356628369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/5427842935356628369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2007/10/relendo-meus-arquivos.html' title='Histórias do Boca de Rua 3 - Arquivos'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rx05qTx2djI/AAAAAAAAADg/0EbwBf8kYRA/s72-c/reuniao+eu+.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-1506857158725134574</id><published>2007-10-05T10:01:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T14:44:42.077-08:00</updated><title type='text'>Histórias do Boca de Rua 2 - Camilinho</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rx01ojx2dhI/AAAAAAAAADQ/uz9cUu1FqnM/s1600-h/Clovis.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124310921932862994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rx01ojx2dhI/AAAAAAAAADQ/uz9cUu1FqnM/s200/Clovis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;No dia 21 de novembro de 2006 morreu Clóvis Camilo Lehrbach, o Camilinho, capa da edição nº 1 do Jornal Boca de Rua. No dia seguinte, por volta das 16h, minutos depois de Clóvis ter sido enterrado sem testemunhas no Campo Santo do Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, decidi que estava na hora de registrar a história de Clóvis e do Boca de Rua.&lt;br /&gt;No dia do enterro, busquei com meu carro dois integrantes do jornal: Alexsandro Rocha da Silva, o Bocão, e Alexandre Portuguez, que estavam no Abrigo Marlene. Camilinho havia participado da Turma dos Cachorrinhos assim como Bocão, que o conhecia desde os 9 anos de idade. Clóvis morreu aos 34 anos. O Cemitério da Santa Casa estava ampliando a área das gavetas, em obras, mas mesmo aqueles túmulos de cimento não impressionavam tanto quanto o monte de plaquinhas de números espalhados pelos terrenos dos fundos onde, embaixo de um montinho, recém tinha sido enterrado Camilinho. Ele estava no número 1750. Sob o sol escaldante, eu não sabia o que fazer, nem exatamente por que estava ali. Bocão ensaiou uma Ave Maria e um Pai Nosso duas vezes antes de se decidir pela oração, que Alexandre repetiu baixinho.&lt;br /&gt;No mar de placas indicando o local das covas, a gente não sabia mais onde estavam enterrados André (Alca), nem Luciano (Mercedez), outros membros do Boca que inauguraram no grupo a consciência de que amigo a gente enterra, e não deixa passar como mais uma notícia de “fulano morreu”. Este tipo de notícia chega às ruas e em seguida é esquecido para se poder seguir em frente. Quando chegamos de volta a meu carro, estava acabado. “Mais um dos nossos se foi, mas é a realidade da rua, seguimos em frente”, disse Bocão. Deixei-os no abrigo, fui para casa disposta a começar a escrever. Mas é difícil escrever sobre o Boca. Porque significa reviver emoções, frustrações, expectativas, realidades duras e muito diferentes da minha. Histórias acumuladas ao longo de seis anos de trabalho não saem impunemente para o papel sem uma dose de filtro emocional. Levei 24 horas para tomar coragem.&lt;br /&gt;Por que escolho a morte de Camilinho para começar o que então seria o projeto de um livro? Talvez porque há cerca de uma semana descobri que só conseguiria aplacar minhas noites de insônia e a sensação de prisão que o projeto me deixa colocando no papel e transmitindo a outras pessoas o que aprendi com os Camilos e Bocões com quem convivi e convivo. Ou seria porque há mais ou menos um mês Edgar, então protetor e guardião de Camilinho, me ligou dizendo que achava que seu amigo ia morrer “mesmo” desta vez, porque ele estava com um tumor no cérebro, e pedia que fosse visitá-lo no hospital.&lt;br /&gt;Não fui. Confusa com a doença do meu próprio pai, e cansada de visitar Camilinho, e de encarar a morte dos membros do Boca, apaguei da memória o telefonema. Quando finalmente tomei coragem para ir vê-lo, ligaram dizendo que ele havia fugido de outro hospital. Era o feriado de 15 de novembro. Ele havia dado meu número de telefone como sendo de um parente.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Durante o período em que Camilinho foi acompanhado por seu anjo da guarda, que eu só conhecia pelo nome de Edgar, escrevia algumas linhas a cada novo telefonema. Nunca conheci Edgar pessoalmente, só em longas conversas por telefone. Às vezes Edgar telefonava para mim, noutras para Rosina Duarte, também jornalista que trabalhou com Camilinho no Boca de Rua.&lt;br /&gt;Seu Edgar questionava então o que fazer para ajudar Camilinho. Sentia-se culpado por não poder fazer mais, e tentava compensar com presentes como roupas, rádio de pilhas. Já conhecia este sentimento dele. No início do trabalho com os moradores de rua, sempre que um dos integrantes era internado num hospital, eu fazía visitas e levava para eles jornais, papel e caneta (para colocar o que lhes passasse na cabeça e para diminuir a solidão). Muitas vezes eu e Rosina levamos também rádios de pilha, daqueles que se compra em camelôs, já que o hospital é, para mim, sinônimo de silêncio cinza (sobre isto, um dia vou escrever com mais calma).&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2 de novembro de 2006, depois de mais um destes telefonemas de seu Edgar, rabisquei num pedaço de papel o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;“Clóvis, 6º Sul do HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre). Edgar&lt;br /&gt;O que significa isso? É meu telefone que eles dão quando querem contatar um familiar para dizer que estão vivos, pedir visita. Prometo visita, desta vez não vou, mas me alivia saber que Clóvis ainda está vivo. Achei que tinham me ligado para dizer que ele finalmente morreu. Interrompo a leitura das “culpas” do Caçador de Pipas para encarar as minhas próprias. Um feriado, um telefonema de dentro de um presídio, outro de um hospital...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-1506857158725134574?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/1506857158725134574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=1506857158725134574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/1506857158725134574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/1506857158725134574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2007/10/clvis-camilo-lehrbach-captulo-1-de-um.html' title='Histórias do Boca de Rua 2 - Camilinho'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rx01ojx2dhI/AAAAAAAAADQ/uz9cUu1FqnM/s72-c/Clovis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-3376596442390522151</id><published>2007-09-05T14:31:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T14:44:42.366-08:00</updated><title type='text'>Histórias do Boca de Rua 1 - Por que um blog</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rx04Yzx2diI/AAAAAAAAADY/E6Vm2CwKkQg/s1600-h/Mercedez.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124313949884806690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rx04Yzx2diI/AAAAAAAAADY/E6Vm2CwKkQg/s200/Mercedez.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Quando ajudei a fundar o Boca de Rua, em 2000, até desconfiava, mas não tinha certeza do quanto um projeto de jornal feito por pessoas em situação de rua poderia ser útil para quem mora em Porto Alegre. Do ponto de vista dos leitores, para que pudessem se aproximar de uma nova realidade que eles preferiam ignorar. Meu, como jornalista, do quanto estava devendo para os leitores com matérias superficiais sobre uma realidade tão próxima. E para os próprios executores do projeto - as pessoas que, afinal, usariam o espaço para contar sobre seus sonhos, medos, desejos, dificuldades - um canal de discussão de cidadania e de retomada de auto-estima e de dignidade. Além, é claro, de uma fonte alternativa de renda: eles fazem o jornal, eles vendem o jornal, o dinheiro da venda é deles. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;No periodo entre 2000 a 2007, quando participei do grupo, tive a oportunidade de conhecer pessoas com um potencial surpreendente de trabalho, criatividade e perseverança escondido sob roupas maltrapilhas e bagagens entulhadas de dor e abandono. Repensei conceitos e valores. Aprendi um pouco mais sobre a vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Ao deixar o Boca de Rua para partir para novos projetos, percebi que há uma parte da história desta e de outras pessoas que tenho o privilégio de conhecer como jornalista que ainda precisam ser contadas. Idéias e Experiências pretende ser um espaço - desorganizado, livre, espontâneo - para canalizar estas histórias. Quero contar sobre o Neri percussionista e idealizador da grife do Boca de Rua, ainda inédita, e sobre o Clóvis, fotógrafo itinerante do grupo. Quero lembrar de Alca, sensível, agitador, esclarecido, uma alma com vozeirão. Do Mercedez (na foto, feita por mim em maio de 2001), criador do RAP que virou quase um hino do jornal. Todos já falecidos, porque os vivos continuam falando por si mesmos nas páginas do jornal e agora, espero, também através deste blog.Boca de Rua é um projeto em construção. Este blog também, assim como os outros projetos que virão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a class="quickedit" title="Editar" href="http://www.blogger.com/rearrange?blogID=6583375765724967194&amp;amp;widgetType=Text&amp;amp;amp;amp;widgetId=Text2&amp;amp;action=editWidget" target="configText2"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-3376596442390522151?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/3376596442390522151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=3376596442390522151' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/3376596442390522151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/3376596442390522151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2007/09/por-que-fazer-um-blog.html' title='Histórias do Boca de Rua 1 - Por que um blog'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rx04Yzx2diI/AAAAAAAAADY/E6Vm2CwKkQg/s72-c/Mercedez.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-7229558269108452556</id><published>2007-09-05T13:29:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T14:44:42.590-08:00</updated><title type='text'>A turma do Realidade de Rua</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rt8VGqBTWgI/AAAAAAAAAAU/chJEfKHhhBI/s1600-h/foto+rap.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106823706564581890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rt8VGqBTWgI/AAAAAAAAAAU/chJEfKHhhBI/s320/foto+rap.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Michelle, Bocão, Dom, Ceco, Toninho e Marcos formam o grupo de rap &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Realidade de Rua. Na foto eles aparecem com o rapper e instrutor Luciano Marino, o Tiano (o primeiro à esquerda, na fila de trás), e o rapper Nitro Di (no centro, bem atrás de Michelle). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;A história do Realidade de Rua começou com Mario Pezão, quando ele orientava os grupos do projeto Descentralização da Cultura da Prefeitura de Porto Alegre e as aulas eram no Auditório Araújo Vianna. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Ao se integrar ao projeto Hip Hop Saúde do GapaRS, o grupo cresceu, ganhou força nas letras das músicas, e pouco a pouco está se profissionalizando. Em breve, será tema também de um documentário. O carro-chefe da turma, chamado de RAP do Mercedez, foi escrito por Luciano Felipe da Luz, apelido Mercedez, um ex-integrante que já morreu e foi homenageado pelos amigos do Boca de Rua numa das edições do jornal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em breve, as letras do Rap e a voz dos integrantes do Realidade de Rua estarão disponíveis neste blog. Os comunicadores das ruas vão ganhar colunas assinadas&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-7229558269108452556?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/7229558269108452556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=7229558269108452556' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7229558269108452556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/7229558269108452556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2007/09/turma-do-realidade-de-rua.html' title='A turma do Realidade de Rua'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HUe1-hwwEzw/Rt8VGqBTWgI/AAAAAAAAAAU/chJEfKHhhBI/s72-c/foto+rap.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6583375765724967194.post-4037803618683229719</id><published>2007-08-30T05:58:00.000-07:00</published><updated>2007-10-22T17:32:11.629-07:00</updated><title type='text'>1º CD do Grupo Realidade de Rua</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Será lançado até o final de 2007 o primeiro CD do grupo Realidade de Rua, formado por integrantes do jornal Boca de Rua que participam do projeto Hip Hop Saúde do GapaRS. Não será apenas mais um CD de Rap. O disco tem o valor simbólico de conquista de um grupo que está conseguindo superar o preconceito contra quem vive nas ruas para buscar caminhos e mudanças. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6583375765724967194-4037803618683229719?l=claraglock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://claraglock.blogspot.com/feeds/4037803618683229719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6583375765724967194&amp;postID=4037803618683229719' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/4037803618683229719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6583375765724967194/posts/default/4037803618683229719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://claraglock.blogspot.com/2007/08/1-cd-do-grupo-realidade-de-rua.html' title='1º CD do Grupo Realidade de Rua'/><author><name>Clarinha Glock</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
